Page

Páginas

domingo, 6 de outubro de 2019

A morte


Movie The Seventh Seal
“O Sétimo Selo”, filme do diretor sueco Ingmar Bergman, de 1957, mostra a morte com feições humanas num mundo caótico, marcado pela peste no Séc. XIII. Ela, no entanto, não é apresentada de forma aterrorizante. É uma companhia fiel, assim como um anjo da guarda em sentido contrário.  Se couber a esse a função de proteger-nos e amparar-nos em situações de apuros, cabe à morte aproveitar-se das mesmas situações para ter-nos em sua companhia.
           
            No filme, o cavaleiro medieval Antonius (Max Von sydow), se propõe em jogar xadrez com a morte. O prêmio para a morte, se ela ganhasse o jogo, seria a vida do cavaleiro. Caso, ele fosse o ganhador, o prêmio seria o mesmo. Nesse caso, ele poderia continuar vivo por mais algum tempo e ajudar uma família que precisava de sua proteção. Insensível a qualquer apelo, a morte o espreita o tempo todo. Ela o observa e procura todos os meios para levá-lo consigo. Se existe alguma qualidade na morte é sua postura democrática.  Ninguém escapa do seu olhar e do alcance de suas mãos.
           
            No candomblé, “Iku” é um Orixá que representa a morte. Ele não tem nenhum dos sentidos exceto o tato. Uma vez que, põe a mão na vítima, adeus! Não adianta chorar, ele não ouve. Não adianta querer negociar com ele, pois não tem sensibilidade. É o companheiro mais fiel de todos. Alcançado pela mão invisível de Iku, não resta mais nada à pessoa, a não ser entregar sua parte material para Nanã (Orixá ancestral que representa o barro da existência) e a parte espiritual a Olorum, divindade suprema.

A morte está sempre ao nosso lado e adora andar de automóvel. Ultimamente, ela tem andado muito perto dos motoristas imprudentes. Meu Deus, como tem morrido pessoas no trânsito! Mas, não é só do mau motorista que ela é amiga. Tem muita amizade com usuários de drogas, beberrões e briguentos...
           
            Ter a certeza da companhia da morte não é pessimismo. É um convite para a nossa reflexão. Será que estamos vivendo bem cada momento de nossas vidas? Adiar a felicidade, não vale. O “depois” poderá não existir. Deixar para aproveitar a vida, após a criação dos filhos, também não vale. Pode ser que você não os veja crescer... Cada dia deve ser vivido como um presente único de Deus!
           
            No Cristianismo a morte é encarada à luz dos ensinamentos de Cristo. Nesse sentido, ela não é a porta de saída, quando muito é, porta de entrada. Por ela, saímos do tempo para entrar na eternidade. São Paulo, ao final da vida dizia: Combati o bom combate, terminei minha carreira... agora só me resta receber a coroa do Justo Juiz... O Apóstolo Paulo estava tranquilo com a certeza de ter cumprido bem sua missão. Em nosso caso, a coisa costuma ser diferente...

Nossa vida é um aprendizado. É um estágio que antecede ao Céu.  Aqui, nos preparamos para ingressar na pátria definitiva.  Mas, isso só é compreensível na ótica da fé.  Por isso, a fé é um suave conforto para se encarar a realidade da morte. A vida não nos é tirada, mas transformada. São Paulo dizia: “Viver para mim é Cristo e morrer para mim é lucro” (Filipenses 1,21). O lucro, nesse caso, parte da certeza do encontro definitivo com Deus. Cristo é a razão de nossa esperança. Então, não precisamos temer a morte. Devemos temer a vida, pois muitas vezes, perdemos as chances de vivê-la, intensamente.
Pense nisso!

Um comentário:

  1. .."Será que estamos vivendo bem cada momento de nossas vidas? Adiar a felicidade, não vale. O “depois” poderá não existir. Deixar para aproveitar a vida, após a criação dos filhos, também não vale. Pode ser que você não os veja crescer... Cada dia deve ser vivido como um presente único de Deus!"...

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu comentário