Bem aventurados...
Bem aventurados quer dizer felizes. Ser feliz, talvez, seja o maior sonho de todos nós. Porventura alguém deseja a infelicidade? Certamente,...
Bem aventurados quer dizer felizes. Ser feliz, talvez, seja o
maior sonho de todos nós. Porventura alguém deseja a infelicidade? Certamente,
não. Apesar de termos clareza a respeito disso, grande maioria de nós não é
feliz. Então, podemos nos perguntar: - O que devemos fazer para sermos felizes?
No Evangelho de São Mateus (Mt 5, 1 -12
a) Jesus nos dá respostas sobre esse tema. Mas, o que ele nos diz soa muito estranho
para o mundo de hoje. O mundo afirma que felizes são os ricos, os famosos, os
que tudo podem... Jesus nos diz o contrário: Felizes os pobres em espírito, os
mansos, os que são perseguidos por causa da justiça... Diante disso,
vivenciamos um dilema: Ou Deus está certo e o mundo nos engana, ou o mundo está
certo e Deus equivocado. Sabemos que Deus não erra e, por isso, concluímos que
o mundo está equivocado quando põe a felicidade fora do lugar. Então, devemos concluir que os critérios de
Deus não são como os nossos.
No “Sermão da Montanha”, como um novo Moisés, Jesus anunciou
a todos sua nova lei e ela criou uma reviravolta em nossa maneira de pensar.
Começou dizendo que “são felizes os pobres em espírito”. Para início de conversa,
todos nós somos pobres. Pobre é quem carrega um vazio dentro de si e todos nós
carregamos esse vazio que só pode ser preenchido por Deus. Ele não pode ser preenchido
pelo Papai Noel ou pelos acertos nos jogos de loteria. Por mais que alguém seja
milionário, continuará dependente de Deus. Caso contrário, nenhum rico ficaria
doente ou morreria. Apesar disso, alguns andam iludidos pensando não precisar
de Deus e de ninguém. O pobre em espírito é quem tem um coração de pobre, um coração
vazio de si e, portanto, aberto aos outros.
Em seguida Jesus anunciou: Felizes os que choram! Ele mesmo
foi um que chorou por amor, na morte de seu amigo Lázaro. Mas, chorou também ao
ser rejeitado em Jerusalém. O choro é uma forma de externalizar, mediante
gemidos e lágrimas, todo sofrimento interior. Só o homem é capaz de chorar e,
às vezes, choramos de dor ou de alegria. Aos que choram pelos motivos certos,
Jesus promete consolação. Temos um Deus que enxuga todas as lágrimas de nossos
olhos (Is 61, 1ss). Você é capaz de chorar pela dor do outro, ou só chora como
crocodilo? Dizem que esse chora quando devora suas presas...
Felizes os mansos, disse Jesus. Talvez, seja essa, a virtude
que mais precisamos atualmente. Bastam ver o quanto as pessoas estão intolerantes
no transito, nas redes sociais e nos arranjos da vida. O violento mata primeiro,
para depois saber quem errou. A mansidão
é a virtude própria de quem ama. Dom Bosco, aconselhava seus seguidores a nunca
perder a mansidão com os jovens. Em um de seus escritos (1) dizia:
“Quantas vezes, meus
filhinhos, no decurso de toda a minha vida, tive de me convencer desta grande
verdade! É mais fácil encolerizar-se do que ter paciência, ameaçar uma criança
do que persuadi-la. Direi mesmo que é mais cômodo, para nossa impaciência e nossa
soberba, castigar os que resistem do que corrigi-los, suportando-os com firmeza
e suavidade. Tomai cuidado para que ninguém vos julgue dominados por um ímpeto
de violenta indignação. É muito difícil, quando se castiga, conservar aquela
calma tão necessária para afastar qualquer dúvida de que agimos para demonstrar
a nossa autoridade ou descarregar o próprio mau humor”.
Felizes os que têm fome e sede de justiça: Fome e sede são
necessidades vitais. A justiça de Deus é bem diferente da nossa. Enquanto a
nossa afirma que a justiça consiste em dar a cada um, o que lhe pertence a
justiça divina nos ensina a dar a cada
um de acordo com suas necessidades. E vai, além disso, quando nos ensina a privilegiar
aqueles que mais precisam...
Felizes os misericordiosos, disse Jesus. Podemos falar sobre
a misericórdia lembrando o exemplo do bom samaritano. Ele sentiu dor no coração
ao ver um homem caído à beira do caminho e mudou todo o seu planejamento para
ajudá-lo. Naquele momento esqueceu-se de
si mesmo para pensar no outro. Fosse hoje, em vez de ajudar aquele homem,
talvez, alguém o filmasse para postar nas redes sociais a fim de aumentar seus
seguidores. Ser misericordioso e ser capaz de colocar-se no lugar do outro e
sentindo suas dores procurar amenizá-las, de alguma forma.
Outra virtude proposta por Jesus a quem deseja ser feliz é
buscar a pureza de coração. O coração é o centro da pessoa. Toda conversão
verdadeira começa no coração, mas quem tem um coração calcificado, um coração
de pedra, não se dispõe à conversão. Por isso, precisamos pedir a Jesus que
faça o nosso coração semelhante ao dele, um coração cheio de amor e capaz de
amar. Quem tem um coração de pedra jamais será feliz. Jesus ainda nos alerta
para a necessidade de sermos promotores da paz. Hoje, no entanto, queremos
garantir a paz com o poder das armas. A paz é fruto da justiça, da misericórdia
e resultado de uma verdadeira conversão.
Finalmente, Jesus nos orienta que buscar esse tipo de
felicidade, tão diferente daquilo que o mundo propõe, tem um preço. Assim como
ele foi perseguido, condenado e preso, quem se dispõe em segui-lo não pode querer
aplausos e passarelas. O que aconteceu
com Jesus pode acontecer também com seus seguidores. Quantos santos foram vítimas
das injúrias, difamações e retaliações diversas? Há um sofrimento que merecemos
quando pecamos e agimos mal, mas, há um tipo de sofrimento em decorrência do
seguimento de Jesus e esse tipo de sofrimento é abençoado. Quem passa por ele
pode ter a certeza de que está no caminho certo. Pense nisso!
1- Das Cartas de São João Bosco, presbítero - (Epistolario, Torino 1959,
4,201-203)
Foto: Arquivo Pessoal - Paisagem de Urucuia, Esmeraldas, MG




Jesus nos pediu tão pouco mas este pouco é difícil para entendermos, preferimos ir para um caminho mais longo, menos humano, é simples, é a humildade, a solidariedade, é entendimento e aceitação. O quanto isto é difícil. para o ser humano. Não sabemos verdadeiramente amar o próximo. Precisamos aprender e só com Jesus vamos aprender.
ResponderExcluirÀs vezes acho tão complicado compreender... Seus textos ajudam demais. Muito obrigada. A fotografia é uma poesia pronta. E a música do Padre Zezinho é pura lembrança da minha infância.
ResponderExcluirUma reflexão profunda e necessária. As verdadeiras bem-aventuranças mostram que a felicidade não está no que o mundo oferece, mas no que Deus transforma dentro de nós. Meus parabéns Padre Geraldo
ResponderExcluirPadre tenho pensado ultimamente como a humanidade é limitada no entendimento da sua existência que é tão passageira!
ResponderExcluirEstamos assistindo um show de horrores, que sempre tem levado ao sofrimento e mortes, por exemplo as guerras. Por não ser adepta a crença de finais dos tempos, já que sempre existiu atrocidades em todo tempo e lugar do mundo, os promotores de ações do mal deveriam ter no mínimo o entendimento que estamos por aqui apenas de passagens, e a morte é democrática, e prestaremos conta de nossas ações. Claro que essas pessoas não tem um bom nível de espiritualidade, estão longe de entender o "Sermão da montanha" que é de uma riqueza de informações e esclarecimento com total sentido. Se convencidos fossem desse entendimento, o rumo da humanidade seria outro.
Termino dizendo que tem escolhido bem as músicas ao final.
Esse evangelho é lindo. Fico pensando como Mateus se sentiu ao ver Jesus pregar esse evangelho, porque é uma leitura que mexe com a gente. Ele é uma receita de vida feliz em Cristo.
ResponderExcluirJesus nos mostra o caminho para chegar à felicidade mas percorrer ele exige muito de nós e tem consequências, precisamos pedir sempre ao Espírito Santo que nos auxilie em cada passo que damos e tudo começa dentro de nossos lares, que o Espírito Santo ilumine a todos nós, obrigado padre pela bela reflexão.
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