Quem pecou, ele ou seus pais?
Certo dia, os discípulos de Jesus fizeram-lhe, uma pergunta reveladora sobre a situação de um cego. Quem pecou para que ele ficasse cego? El...
Deus é um pai amoroso e jamais iria condenar um de seus
filhos com a cegueira. Além de justo, Deus é misericordioso. Por isso, Jesus curou o cego e o transformou
num de seus discípulos. O jeito que Jesus o curou, no entanto, chama a nossa
atenção: “Cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do
cego”. E disse-lhe: “Vai lavar-te na Piscina de Siloé’, (que quer dizer
enviado)”. Aqui já podemos entender algo interessante, Jesus é o enviado do
pai. Só ele pode livrar-nos de nossas cegueiras... O homem criado do barro da
terra, obra de arte de Deus, foi estragado pelo pecado. Jesus, como artista do
pai recupera, com o barro do chão, a grande obra de arte do pai.
O cego lavou-se, ficou curado e o seu calvário, começou. A
partir de então, teve que dar satisfação a tanta gente que já não aguentava
mais. Ele que nem conhecia Jesus! O seu conhecimento do Mestre foi progressivo.
Primeiro ele chamou Jesus de “aquele homem” Jo 9, 11; Depois ele afirmou: “É um
profeta”! Jo 9, 17. Finalmente o chama de “Senhor” e prostrou-se, diante dele. Jo
9, 38. A fé do cego, assim como a nossa, cresce, aos poucos, em meio às
provações.
A experiência que o cego teve de Jesus lhe custou caro. O
texto diz que ele foi expulso da Comunidade e até seus pais, ao que parece,
quiseram ignorá-lo, por causa do medo das autoridades (Jo 9,20) As
incompreensões e perseguições costumam acompanhar os verdadeiros discípulos de
Cristo. “Se perseguiram a mim, irão perseguir vocês também” (Jo 15, 20). Após a
cura ele sofreu perseguições, mas antes dela, sofria preconceitos e vivia à
margem dos caminhos mendigando caridade alheia. Jesus não quer ninguém
marginalizado. Por isso, curou o cego e muitos outros que viviam nessa
condição, mas não curou do preconceito muita gente naquele tempo. O Profeta
Isaías já havia anunciado que o Messias quando viesse iria curar os cegos (Is
42,6). Para tirar alguém da marginalidade Jesus transgrediu até mesmo a lei do
descanso sabático, pois a cura aconteceu num dia de sábado. Ele sabia que a lei
foi feita para o homem e não o contrário.
O contexto da cura do cego foi a Festa da Dedicação do Templo
ou Festa das Tendas, conforme o capítulo sete. Nesse dia o sacerdote purificava
o altar com a água da Fonte de Gion. Jesus, no entanto, pede ao cego que vá não
à Fonte de Gion (Situada fora das muralhas da antiga Jerusalém, no Vale do
Cédron), mas na Piscina de Siloé. Siloé quer dizer enviado. Jesus é o enviado
do pai para trazer luz a todos que vivem nas trevas. Só ele pode nos purificar
de nossos pecados.
Ao final da leitura desse Evangelho a gente fica se
perguntando: Quem era mais cego naquele contexto: As autoridades que não
reconheceram nem aceitaram Jesus, os discípulos, ou o próprio cego, cujo nome
não aparece? Quais os preconceitos causam cegueira ainda hoje dos quais precisamos
nos libertar? Quem são os cegos e marginalizados de nosso tempo ignorados por
todos? Nós pagamos algum preço por seguir Jesus e sermos seus discípulos?
Pense nisso!
Imagem de Roger Casco por Pixabay




Boa noite, ainda muitas pessoas cegas e rejeitadas neste mundo. A pior cegueira é a do coração.
ResponderExcluirA meditação da palavra de Deus é diária, sempre nova, porque pela ação do Espírito Santo realiza e produz em nós força pra vencer as tentações, nos move em direção a Deus... Que estejamos abertos a essa ação.. de olhos bem abertos...
ResponderExcluirPadre, respondendo a pergunta ao final do texto, quem são os cegos atualmente? Eu sem nenhuma dúvida direi que são os que não tem nenhum temor a Deus.
ResponderExcluirAqueles que vivem ignorando as duas leis fundamenttais, - o amor a Deus e ao próximo. Se estamos de passagem rápida por esta vida terrena, deveríamos considerar que prestaremos contas de nossas ações, quando daqui partirmos.
Os cegos perdem a oportunidade ignorando a receita ou seja, a lei do amor.