Como se estivessem numa festa

“Na alma unida a Deus reina sempre a primavera” (*). A frase é de São João Maria Vianney e nos faz refletir sobre a alegria daqueles que es...

“Na alma unida a Deus reina sempre a primavera” (*). A frase é de São João Maria Vianney e nos faz refletir sobre a alegria daqueles que estão sempre próximos a Deus. O oposto talvez seja verdadeiro. Na alma em que Deus não habita reinam sombras e tristezas. Isso não vale para quem está com depressão ou atravessando momentos de desgastes emocionais. Por mais santos que sejamos corremos o risco de atravessar vales sombrios e noites escuras... Mas, essas situações costumam ser passageiras e não permanentes. O distanciamento de Deus é outra realidade. Santo Agostinho após experimentar tal distanciamento afirmou: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora”! (Conf. X, 27.38). E completa dizendo: "Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti".

Podemos perceber a alegria de estar na presença de Deus nos discípulos que acompanhavam Jesus. Eles agiam como se estivessem numa festa. Viviam uma grande primavera de encontro entre Deus e suas criaturas. Naquele contexto não cabiam tristezas.  Mas, a alegria contagiante dos discípulos também foi causa de incômodos. Incomodou os que praticavam uma religião sisuda e rigorista como os fariseus e os mestres da lei. Por isso eles se aproximaram de jesus para questioná-lo: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas, os teus discípulos (vivem como se estivessem numa festa), comem e bebem”... (Lc 5, 33- 39). Ouvindo esse questionamento Jesus afirmou que os convidados de um casamento não poderiam jejuar enquanto o noivo estivesse com eles...

Naquele tempo fazia-se jejum, entre outras motivações, para apressar a chegada do Messias. Acontece que o Messias já estava entre eles e essa presença pedia comemoração e não sacrifícios. Seria como chorar a morte de alguém que ainda não tivesse morrido. Tudo tem a hora certa para acontecer e aquela hora não deveria ser de tristezas e sim de alegrias.

Algumas pessoas, ainda hoje, parecem condenar a alegria como se ela fosse um pecado esquecendo-se que ela é um dos frutos do Espírito Santo: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, fé, humildade, e domínio de si mesmo”. (Gl5, 22ss). No filme “O Nome da Rosa”, um dos monges repreendeu o outro quando ele riu, dizendo-lhe que o sorriso deformava as linhas do rosto. Mas, o sisudo que falou isso, já estava com as linhas de expressão, totalmente inexpressivas... O que diria esse monge se tivesse visto a beleza iluminadora do sorriso do Papa Francisco?

A crítica dos fariseus e mestres da lei, a Jesus e seus discípulos não procedia. Na verdade, eles não aceitaram o messianismo de Jesus e estavam com dor de cotovelo ao ver que ele ensinava com leveza e autoridade. Que pena! Eles também poderiam entrar no grupo de Jesus e aproveitar de sua presença. Mas, preferiram ficar de fora por se considerarem mais santos que os outros. Agiam como donos do sagrado e gostavam de serem chamados de guias e mestres do povo. Mal sabiam que um cego não poderia guiar outros cegos, sob pena de caírem todos no mesmo buraco.

 

   (*) - https://ggpadre.blogspot.com/2016/08/vianney-poeta-do-coracao-liquido.html

           Imagem de dana279 por Pixabay

           

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  1. Lindas palavras faz ,_nos refletir sobre essa alegria de viver essa primavera em nós . parabéns.

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  2. Padre eu concordo que a alegria é fruto do espirito Santo, por isso é bom estar ao lado de gente de bem com a vida, a alegria transborda no ambiente onde está. Como é bom estar neste convívio! Uma boa música como esta, também nos leva a bons sentimentos, tem músicas que podem mudar o humor, o ambiente, portanto, é bom ter cuidado na escolha.
    Voltando ao texto, quem tem alegria, está sim mais próximo de Deus.

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  3. Lindíssima explicação do Padre Geraldo Gabriel! Eu também acredito que devemos viver alegres e em paz com Deus com o próximo e com a natureza. Devemos ter um coração de criança diante da vida. Coração de criança é feliz! É inocente alegre e humilde. Que na estrada da vida saibamos Viver na Paz no Amor e na Alegria uns com os outros, como viviam os Discípulos de Jesus Cristo

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