Perderam a festa para não perder dinheiro
Quando a ganância é muito grande a pessoa só participa daquilo que pode lhe render algum dinheiro. Certa vez, atendi uma senhora, ao final...
Quando a ganância é muito grande a pessoa só participa daquilo
que pode lhe render algum dinheiro. Certa vez, atendi uma senhora, ao final da
vida e ela me disse o seguinte:
Padre, eu só pensei em ganhar dinheiro e nem namorado eu tive.
Não queria perder tempo com namoro. Todo o meu tempo eu o gastei para ganhar
dinheiro. Hoje tenho o dinheiro, mas não tenho mais saúde para aproveitar o que
ganhei. Sinto que minha vida foge de mim e não tenho como fazer nada. Se me
fosse dado uma nova chance eu faria tudo diferente. Mas, infelizmente o médico me
deu pouco tempo de vida.
Essa senhora morreu dois meses depois daquela conversa. Hoje
rezo por sua alma e peço a Deus que eu saiba administrar o tempo que me foi
dado da melhor maneira possível, pois, não existe nada mais perecível que o
tempo. Ele passa rápido e quando a gente o percebe já se foi. Essa realidade me
faz lembrar de um poema de Mário Quintana chamado “O Tempo”:
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e
inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de
tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
O Evangelho de São Mateus (Mt 22, 1-10) nos fala de uma situação parecida com relação ao tempo. Um rei preparou uma grande festa de casamento para o seu filho. Sendo preparada pelo rei, de fato, deveria ser uma grande festa! Depois de tudo preparado mandou convidar os amigos para compartilhar com ele esse momento de alegria. Mas, pasmem! Os convidados recusaram o convite. Em vez de festejarem preferiram ganhar dinheiro trabalhando em seus campos. Trabalhar e ganhar dinheiro não é pecado, o pecado começa quando isso nos escraviza. Será que o mundo iria se acabar se eles tivessem dado uma pausa nas obrigações para festejarem esse momento tão importante para o rei e sua família?
Esse
Rei é Deus! Ele nos convida para o seu banquete e, muitas vezes, lhe voltamos
as costas por interesses mesquinhos. Durante as missas os padres levantam a
hóstia consagrada e dizem: Felizes os convidados para a ceia do Senhor! Mas,
quantos foram convidados e não compareceram? Essa é uma boa pergunta. E porque
não compareceram?
Certa vez, numa comunidade rural uma senhora me disse que não poderia ir à missa porque um gavião rondava o seu terreiro para comer os pintinhos de suas galinhas. Será que ela não tinha algo mais importante do que afugentar um gavião faminto, pensei com meus botões. Como alguém pode trocar algo tão importante por coisas tão miúdas? Foi o que aconteceu na história do Evangelho. A troca não foi por causa de uma galinha de pintos, mas, por um campo de terra ruim que servia para criar carrapatos!
O Evangelho ainda apresenta uma situação curiosa. Depois que os primeiros convidados rejeitaram o convite, o rei pediu ao seu mensageiro que fosse às encruzilhadas e trouxessem todos que encontrasse para sua festa. A casa ficou repleta de convidados. Um deles estava com veste inadequada e foi retirado da festa. Como assim? Todos não foram convidados igualmente? Sim. O convite de Deus para o seu reino é destinado a todos, mas a resposta é individual. Quem é convidado deve trocar a vestimenta antes de entrar na sala do banquete. Trocar de vestimenta é se converter e mudar de vida, pois, na festa de Deus não se entra de qualquer jeito. Deus convida a todos e quer a presença de todos, mas, depois desse convite a pessoa deve mudar o seu jeito de ser. A salvação de Deus é um dom, mas não é automática, devemos fazer o possível para agradecer esse dom. Deus nos amou primeiro, mas, nós devemos amá-lo como resposta. O convite é de graça, mas, devemos nos esforçar para mudar de roupa, ou seja, mudar de conduta.
Voltemos
à questão do tempo: Como você aproveita o tempo que lhe foi dado? Costuma
aproveitá-lo bem ou vive neurótico para ganhar dinheiro. Será verdadeira a
expressão: Times is Money? (tempo é dinheiro?). Não vamos endemoniar o dinheiro,
mas ele também não pode ser idolatrado feito um bezerro de ouro. Você é capaz
de abrir uma janela no seu tempo para festejar com um amigo que vive uma
ocasião especial? É capaz de tirar tempo para uma missa ou prefere cuidar de
suas galinhas ou do seu criador de carrapatos?
Pense
nisso!
Imagem de Alana Jordan por Pixabay




O tempo é o grande professor.A gente vai aprendendo a desfazer do que não é importante,e se tornando mais leve
ResponderExcluirPadre Geraldo seu comentário é muito atual pois as vezes perdemos a saúde para ganhar dinheiro depois o dinheiro não consegue comprar de volta a nossa saúde .
ResponderExcluirSim , me encaixo perfeitamente neste texto, as vezes não compareço nesta festa em que sou sempre convidada, preciso mudar minha postura e valorizar mais as coisas de Deus, não me envergonho de assumir porque é notório e a pura verdade, posso mentir para as pessoas mas não minto para Deus , Ele sabe de tudo. Que eu seja mais consciente para participar desta grande festa do Senhor.
ResponderExcluirPadre, agora na fase de idosa é que tenho refletido mais sobre o tempo vivido e a viver. Sinto como passou rápido e que bom não ter arrependimentos. Penso que faria do mesmo jeito, se tivesse oportunidade de volta ao passado, para recomeçar.
ResponderExcluirQuanto ao presente, que Deus nos dê sabedoria, e assim filtrar o melhor, para gastar nosso tempo.
Deus tem o seu tempo para conosco Mais nós não temos tempo para Deus. Será que estamos dando mais valor as coisas materiais do que as coisas espirituais?
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