Provocado por uma lacraia

  Enquanto o mundo pega fogo com guerras que se multiplicam eu observo, com atenção, um pequeno bichinho que nem sei classificar corretament...

 


Enquanto o mundo pega fogo com guerras que se multiplicam eu observo, com atenção, um pequeno bichinho que nem sei classificar corretamente. Na falta de um nome vou chamá-lo de lacraia. Espero que ele não se ofenda comigo, pois, no mundo dos bichos, sinceramente, não sei o que representa uma lacraia. Se eu chamasse um bicho de gambá, talvez, ele ficasse ofendido, pois, é quase impossível que seu aroma não seja notado na freguesia. Uma lacraia, pronto! Fica resolvido. O que vi foi uma lacraia, e não se fala mais nisso.

O bichinho media menos de um centímetro e desfilava, rapidamente, sob meus pés como se buscasse um objeto perdido. Movimentava-se com uma multidão de perninas todas sincronizadas e, nem sei, como uma perna não tropeçava na outra. Enquanto esperava Aleff, meu colega de trabalho, resolvi  usar meu celular e registrar a imagem daquele bichinho. Tive que aumentar o zoom para gerar um retrato, minimamente, satisfatório. Por sorte, Aleff demorou um pouco e  pude contemplar bem aquela cena. Posicionava o celular um pouco na dianteira, mas ele passava acelerado e a imagem ficava enlaçada. Pelo visto, ele não queria fazer parte dessa crônica. Quase me deitei no chão para registrar a cena e tive vergonha de Rony Anderson que me viu naquela posição. Deve ter pensado que eu não estava bem da cachola. Se pensar assim, está correto. Somente uma pessoa de miolo mole poderia gastar tempo com um bichinho tão insignificante para todos.

Já passava das dezoito horas e o bichinho parecia querer chegar a casa antes de escurecer por completo. Contar suas perninhas seria tarefa impossível. Mas, o que norteava sua caminhada rastejante àquela hora? Só Deus poderia saber. Aliás, eu nem saberia dizer por que Deus criou um ser tão pequeno com um motorzinho tão possante. Em menos de dez minutos ele, ou ela, praticamente, cruzara o pátio da rádio. Tentei mirar em seus olhos e estabelecer com ele uma comunicação mental, mas, fui interrompido por Dona Beja (a gatinha da rádio) que me encarou com estranheza e saiu num passo dissimulado.

Meu Deus, como tem tanta vida nessa terra! Pensei com meus botões. Eu preocupado com muitas coisas  e aquele bichinho ali, desfilando sob o meu olhar como se eu não existisse. Era tão minúsculo que um mosquito diante dele seria como um elefante diante de mim. Como ele vivia? O que cabia em seu minúsculo estômago? Como se reproduziria, quanto tempo iria viver? Um milhão de perguntas povoaram minha cabeça e, a maioria delas, ficou sem resposta. Você saberia me dizer que bichinho é esse que me provocou tanto? A foto acima, ampliada, naturalmente, foi o melhor registro que consegui fazer dele... Ou dela... Vai saber!

  Foto: Arquivo pessoal. Ampliada muitas vezes...


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