O amor é lindo

Ele estava no crepúsculo da vida e ela na fogaça da juventude. Ninguém via com bons olhos o casamento dos dois. Ela sonhava com um herói qu...


Ele estava no crepúsculo da vida e ela na fogaça da juventude. Ninguém via com bons olhos o casamento dos dois. Ela sonhava com um herói que fosse libertá-la do cativeiro familiar e ele sonhava invejar os amigos com uma “Barbie” debaixo do braço. O romance foi curto e o casório rápido. Mais rápido ainda, veio Heitor, o primeiro filho. Já o segundo, o Emiliano, veio bem depois.

O tempo passou e com o andar da carruagem o que era doce ficou amargo. O relacionamento azedou-se. Ele continuou muito apaixonado por ela. Ela, no entanto, queria viver outras experiências na vida. Não faltou quem a ajudasse nesse empreendimento. Afinal, até parecia boa ação.

A família ganhou novo impulso. Aquilo era o retrato vivo da diversidade brasileira: morenos, pardos, amarelos... E assim a prole cresceu, apesar das constantes intrigas entre os dois. A coisa ficou feia! Numa das brigas, ele levou o disparo de uma arma de fogo e pensou que tudo fosse acabar ali mesmo. Mas, com o tempo, recuperou-se. O casamento, entretanto, acabou no dia da milésima briga, a briga do tiro. A vizinhança alvoroçou-se e todos queria vê-la na cadeia, chegaram a apostar quanto ao número de anos que ela pegaria em cana.

No tribunal ela apareceu com saia justa e cabelos curtos. A sainha vermelha também era curtinha. Diante do acusador deu aquela clássica cruzada de pernas.  Foi uma visão estonteante para ele que, afinal, havia lhe jurado amor eterno. Além do mais, como uma belezura daquela teria coragem de puxar o gatilho? Só podia ser coisa de outro, de outro mundo, na verdade.  Tentou descartar essa hipótese, visto que no dia da briga só havia os dois no local.
Distraído, mal ouvira a pergunta do magistrado:
- O Sr. Acusa sua ex-esposa  de tentativa de homicídio?
– O quê? - Não, senhor Juiz. E após, pestanejar um pouco, continuou:
- Em perfeito juízo ela jamais faria isso comigo. Na verdade, gaguejou um pouco, foi tudo obra do encardido.
– Encardido? que encardido? perguntou-lhe o juiz.
– Sim doutor, do diabo mesmo, não é ele quem vive mexendo com quem tá quieto...
O juiz balançou a cabeça, pensativo. Como não havia um jeito de citar o tal do encardido, a coisa morreu ali mesmo. Ao final do júri, o casal saiu abraçado do tribunal, deixando as testemunhas a ver navios...
O amor é lindo!

   Imagem de IgorKocka por Pixabay
  
   

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  1. Kkkk tem amor cego e surdo mesmo! só vê e ouve o que quer, este Senhor prova que prefere estar mal acompanhado do que só.Tudo na vida é questa de escolha, se é feliz se enganando, deve ser respeitada a sua vontade.

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