O Camelo e o buraco da agulha
Para espanto dos discípulos Jesus afirmou com todas as letras: É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entr...
Para espanto dos discípulos Jesus afirmou com todas as
letras: É mais fácil um camelo passar
pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus! (Mt 19,
23 -30). Se naquele tempo essa afirmação causou espanto, hoje causa polêmica e
desconforto.
Os discípulos eram homens do tempo deles e, naquela época,
parte dos judeus via nas riquezas um sinal das bênçãos de Deus. Essa “teologia da prosperidade” sobrevive até hoje. A questão, nesse caso, fica assim:
Os ricos são abençoados, quanto aos pobres, só Deus sabe... Alguns, se esquecem que Jesus
nasceu pobre e morreu pobre. Não teve berço para nascer e nem sepultura para
ser enterrado. Então, o susto dos apóstolos estava explicado. Jesus disse que a
riqueza poderia ser um grande impedimento para a vida eterna. Ora, eles
pensavam, exatamente, o contrário!
O texto mencionado é a continuação do diálogo entre Jesus e
um jovem anônimo que ficou conhecido apenas por “jovem rico”. Ele chegou perto
de Jesus e o interrogou: “Mestre, o que é preciso fazer de bom para
alcançar a vida eterna”? Se ele
tivesse perguntado isso ao Apóstolo Paulo, provavelmente, ouviria a seguinte
resposta: - Nada! O Reino é graça. Aliás, tudo é graça. Não adianta querer
juntar moedas, de qualquer espécie, para comprar o ingresso para o céu. O Céu já
nos foi dado. Então, só nos cabe aceitá-lo. Com sua morte na cruz, Cristo “pagou”
o nosso ingresso, com seu próprio sangue. Mas, então, quer dizer que posso
viver de qualquer maneira que lá na frente tudo vai dar certo? Também não é
assim! Devo me esforçar para merecer esse "ingresso", embora saiba que ele já nos
foi dado previamente. Cristo nos amou primeiro. O meu amor por ele já é
resposta e não um arranjo astucioso para angariar a sua simpatia...
Quem entendeu isso, sabe que, em vista desse brinde, tudo
mais deve ser relativizado. A maior riqueza é essa que a traça não come e a
ferrugem não destrói. Quem descobriu essa verdade vende tudo o que tem
para comprar esse campo que esconde o tesouro. Nenhuma riqueza desse mundo
garante o passaporte para a eternidade. Apesar disso, muitos guardam o coração
no cofre conforme nos relata uma história de um agiota que, na época de Santo
Antônio, morreu deixando o coração no cofre(1). Esse tipo de ser humano não entra
no céu porque só se preocupa em encher os cofres. Quando eles morrem é uma
verdadeira farra! Aparecem herdeiros de todos os lados só para amealhar parte
do que foi juntado.
Diz uma lenda antiga que Alexandre Magno, um dos maiores imperadores da história pediu que fosse sepultado com as mãos do lado de fora do caixão. Isso era para que todos vissem que o homem mais rico do mundo estava sendo enterrado com as mãos vazias... Verdade, ou não, a história nos traz um grande ensinamento: Ter as coisas não é pecado; o pecado começa quando as coisas passam a serem donas de nós... Quantas pessoas se envolvem em brigas e contentas por causa de heranças? Não são raros os crimes ocorridos apenas por causa de bens materiais. A esses é bom lembrar que dessa vida a gente não leva carro novo, nem fazendas, empresas ou aparelhinhos... Quem está entupido de coisas torna-se maior do que um camelo e, por isso, não consegue mesmo passar pelo buraco da agulha. Seguir Jesus é esvaziar-se de si mesmo e imitá-lo no seu despojamento e entrega para o bem do outro. Ele deu-nos o exemplo: entregou tudo mesmo, até a própria vida! O que mais poderia ter feito para mostrar o quanto nos ama e nos quer bem? Sabendo disso, o resto é lucro!
1- http://ggpadre.blogspot.com/2016/08/coracao-no-cofre.html
Imagem de Wolfgang Inderwies por Pixabay
Que sejamos mansos e humildes de coração e desprendidos das coisas terrenas e afeiçoados às coisas celestes!
ResponderExcluir"O que adianta ter fama e o nome enterrado na lama". Que saibamos buscar as coisas do alto. Com certeza é o que vale a pena.
ResponderExcluirQue espetáculo de reflexão Gabriel. Que sensibilidade de clara Nunes nessa música a qual retrata infelizmente muitas realidades. Forte abraço.
ResponderExcluirO perigo das riquezas é um mal que corrói e corrompe muitas pessoas. Sejamos simples e não nos deixemos contaminar por este veneno maldito.
ResponderExcluirOi Padre Gabriel gosto muito de vc e das suas reflexões viu um forte abraço querido amigo
ResponderExcluirQuanto às reflexão em três pontos importante,que sejamos humilde porque Deus deixou sejamos mansos e humilde ñ a necessidade de egoísmo, somos iguais diante de Deus,desde de façamos a sua vontade e ñ a nossa.
ResponderExcluirInfelizmente é a maior realidade
ResponderExcluirComo é ler seus textos, maravilhosos. Temos que vigiar para que não sejamos escravos dos bens, dons. Não esquecendo que tudo fica. Quem dera que todos tivéssemos oportunidades de presenciar a abertura de uma sepultura, muitos converteram,tudo fica,só levaremos as boas ações.Obrigada, como aprendemos com o senhor.
ResponderExcluirSó tenho que agradecer pelas suas reflexões maravilhosas
ResponderExcluirPaz e Bem!
ResponderExcluirÓtima meditação e reflexão!
Obrigado pela habilidade em atualizar este texto, somado a esta bela canção!
Creio que aceitar este Reino me remete a dia a dia ter pequenos atos de humildade.....assim poderei ser um pouco mais humilde e viver este chamado de Jesus.:um desafio de não se apropriar de nada e saber partilhar os talentos, bens e conquistas que o PAI nos permite.Penso que pessoas como Irmã Dulce vibrava de alegria ao conseguir mais uma caminha ou um cobertor para um assistido seu.Com certeza dava Glórias a Deus.Como diz a Canção: Quando um pobre nada tem e até reparte, quando um pobre passa sede e água nos dá. Quando um frágil fortalece seu irmão, vai Deus mesmo em nosso mesmo caminhar!
Assim,o que poderemos chamar de Prosperidade?!!!
Shalom!
Verdade isso.
ResponderExcluirExcelente
ResponderExcluirTexto muito bom!
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