Cadê os amigos?
Parece verdade que o mundo nos ilude com relação às amizades. De nada adianta o cantor falar de “um milhão de amigos” quando, a realidade ...
Parece verdade que o mundo nos ilude com relação às amizades.
De nada adianta o cantor falar de “um milhão de amigos” quando, a realidade
parece remar ao contrário. Cadê fulano? e cicrano? Onde fora parar o Zé da Tonha, o Zé Pedro e o
Nélson? Não éramos tão próximos? A vida se encarregou de separar os
inseparáveis! Alguns partiram mais cedo
para o além e outros nem rastros deixaram. Lembra-se da Maria Zilú? E da Tereza?
Onde foi parar todo mundo? Quem
restou de nosso futebol de várzea? E do clube dos solteiros? É verdade que o Toinzinho se separou da
Priscila? Onde anda a Sílvia que trabalhava na loja da esquina? Onde anda toda essa gente que povoou minha
história?
Às vezes, temos a estranha sensação que passou um trem e
levou nossos amigos e nos deixou na estação com nossas lembranças. Isso não é
um infortúnio pessoal. Aposto que o leitor se viu dentro de meu texto.
Certamente, você também já se encontrou com um velho amigo e quase não o
reconheceu. Ela ficou mais gorda, ele ficou careca... Nem pareciam os velhos
amigos de antes. Um ficou mais rico o outro mais pobre; um ficou solteirão e o
outro casou-se três vezes. Ô mundo mal repartido, meu Deus!
Outro dia encontrei-me com um velho amigo e, quando lhe
perguntei por outro amigo, comum a nós dois, é que fiquei sabendo que ele já
havia morrido. Um dia eu também vou morrer e, provavelmente, alguns só ficarão
sabendo após muitos anos, ou quem sabe, nem se lembrem mais de mim.
Reviver o passado é algo quase impossível em se tratando de
velhos amigos separados pelo tempo. Num reencontro o assunto acaba em menos de
cinco minutos. Como não há mais vivências comuns também não há assuntos a não
ser falar do tempo ou reclamar da política. Ainda que você cultive uma boa
lembrança do antigo companheiro não vai suportar sua esposa, que veio depois,
ou o seu filho adolescente que teima e falar gírias e mascar chicletes em sua
frente.
Nesse grande liquidificador ligado que é a vida de todos nós,
tudo se mistura, dissolve e descolore com o tempo. A impermanência parece ser a
única coisa permanente que nos resta. Veja que contradição! Tudo passa tudo muda,
só não muda essa efervescente mudança.
Imagem de simple_tunchi0 por Pixabay



