Florir entre lágrimas

  Ainda no amanhecer, vi a lágrima da mais bela flor escorrer por sua pétala. O dia nasceu pesado, o peito abafado, o ar curto. Mas nem a ch...

 


Ainda no amanhecer, vi a lágrima da mais bela flor escorrer por sua pétala.

O dia nasceu pesado, o peito abafado, o ar curto.

Mas nem a chuva, nem o cansaço, nem o peso do mundo

foram capazes de encerrar a esperança.

Porque até quando a flor chora,

ela continua florescendo.

Cada gota era uma memória do que doeu,

cada pétala, uma promessa de que a dor não é morada;

é passagem.

O caule, mesmo curvado, não se rende.

Ele aprende a sustentar o céu com raízes invisíveis.

E eu entendi ali, em silêncio:

há dias em que viver não é sorrir,

é apenas não desistir.

É permanecer aberto, mesmo ferido,

permitindo que a luz encontre espaço

entre as rachaduras da alma.

Porque a esperança não grita.

Ela pinga.

Gota por gota.

Até virar flor de novo.


Texto e foto: Lucas Bessa

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