Ingredientes da crônica

  E a música continua lá fora. Música? Não. Um som ancestral, de péssimo gosto entrecortado por uma voz gutural que imita um gorila. Rum! Si...

 


E a música continua lá fora. Música? Não. Um som ancestral, de péssimo gosto entrecortado por uma voz gutural que imita um gorila. Rum! Simbóora! Ihuu! Tudo isso embalado na mesma sequência um funfunén, funfunén que não acaba mais. Esse tipo de som seria para impressionar as fêmeas circulantes na área?  Se for tá danando! Já não se fazem mais fêmeas como antigamente.

De vez em quando, o som é cortado por um ruído estremecedor de alguma motocicleta.  Deve ser uma dessas motos enormes que alguns homens usam para compensar o que lhes faltam em matéria de falos. Nem Freud consegue mais explicar essa nova tendência! O DJ agora colocou uma música num inglês, extremamente, sofrível e a coisa desandou de vez.

O cachorro cismou de pular a janela. Deu para imitar o gato que já tem séculos de habilidade nessa função. Como se não bastasse a astúcia do bichano agora o “perro” também deu pra isso.

A TV não para de falar sobre a morte do líder espiritual do Iran. Os analistas desfilam diante das câmeras cada um querendo ser mais entendido que o outro em matérias internacionais.  Alguns põem tudo na conta de Trump que também aparece na TV fazendo biquinhos e trejeitos com seu cabelo de manga chupada. Uma “sensitiva” disse que já havia previsto tudo e botou a culpa do crime na confluência dos astros.

E a famigerada música continua: Funk, funk, funk... fufunén, fufunén... É de lascar! Talvez, fosse pior para todos ouvir esse tipo de som que ver Trump concedendo entrevistas... Pensei em gravar o som e enviar para alguns amigos mais pirracentos. Mas, ao mesmo tempo tive pena, pois ninguém, além de mim, tem um ouvido de paiol.  O repertório único vai e vem enquanto o cachorro bateu em retirada depois de unhado pelo gato. Hoje é hoje!  

A TV continua exibindo os mísseis nos céus do Iran e os comentaristas tentam preencher, com isso, a grande falta de assuntos para uma tarde de domingo. Enxoto o gato e escorraço o cachorro. Paciência também tem limites! Ameacei levar os dois para o show que acontece na praça. Eles calaram na hora! Ô bicho danado!

 E assim a vida segue: Sol, show, café e crônica, ingredientes tão necessários a quem gosta de escrever. E tenho dito! Agora é só apreciar a música. Valha-me Deus! 

 

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  1. Kkkk, esta cronica precisava ser escrita, para funcionar como terapêutica, afinal foi mesmo um sofrimento ouvir o mal gosto musical. Desabafar é bom, e cada um usa o o recurso que tem, já que seria impossível desligar.
    O fato que vivenciei de tremendo mal gosto musical, foi uma festa de 15 anos. Tinha todos os ingredientes para ser uma ótima festa. Local, decoração, comes e bebes, mas um DJ e um MC cantor, horrível. Coloco parenteses no horrível, porque para mim e outros adultos, assim achamos, mas na pista de dança, eles eram muito prestigiados, e os jovens sabiam as letras, cantando juntos.
    Conclusão, estamos vivendo um tempo de rebaixamento de preferências musicais. Fazer o quê!
    Eu, não fiquei o tempo que gostaria, assim como muitos convidados.
    Bem nelhor uma música brega, como a que escolheu ao final, porque tem uma boa letra, mesmo que sofrível.

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  2. Kkkkkkk cabelo de manga chupada! Motos grandes disfarçando outras coisas minúsculas! Músicas famigeradas! Kkkkkk Você é imbatível!

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  3. Infelizmente, meu querido amigo padre Geraldo, vivemos tempos sombrios, não só na música, como em outras áreas da arte.
    Li em um jornal de grande circulação que esta geração, na história evolutiva da humanidade, é a única que na superou a inteligência da geração passada.
    Precisa explicar qual é o motivo?

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  4. Sensibilidade e humor: ingredientes para uma boa crônica

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