Mulher sem nome e de cinco maridos

  O objetivo desse texto é comentar a passagem bíblica que narra o encontro de Jesus com a Samaritana na beira do poço (Jo 4, 5 - 42). Para ...

 


O objetivo desse texto é comentar a passagem bíblica que narra o encontro de Jesus com a Samaritana na beira do poço (Jo 4, 5 - 42). Para entender esse texto, no entanto, temos que entender outras coisas antes.

Havia uma inimizade de longa data entre judeus e samaritanos. Os samaritanos surgiram de uma miscigenação entre os israelitas e cinco povos diferentes por volta de 722ª. C. Podemos contatar isso em passagens da própria Bíblia (Cf: 2 Rs 17, 24 – 41). Essa mulher, sem nome, representa toda a humanidade sedenta de Deus pois, quer uma água que mate a sua sede profunda e ela não precise mais retornar ao poço. Os cinco maridos com quem conviveu talvez, seja uma alusão aos cinco povos pagãos com quem os samaritanos se misturaram.

Ela encontra-se com Jesus ao meio dia e, nesse horário Jesus tem sede. Esse foi o mesmo horário que ele teve sede no dia de sua morte. Os judeus consideravam que as mulheres samaritanas viviam em constante estado de impureza e, por isso, jamais lhes dirigiam a palavra. Mas, com poucas palavras Jesus rompe essa fronteira do preconceito. Ele pede água como alguém que pede para ser acolhido, aceito, admitido no grupo. Era mais fácil aos judeus pedir fogo do céu para queimar os samaritanos (Lc 9, 51 – 56) do que pedir água à uma mulher que estava só, em pleno calor do dia. Por isso, Jesus estava bem a frente de seu tempo e isso costumava lhe trazer grandes incompreensões. Os próprios discípulos quando retornaram, pois tinha ido comprar comida, estranharam que Jesus estivesse conversando com aquela estrangeira “idólatra”. Os judeus costumavam chamar os pagãos de cachorros.

A outra coisa que devemos entender é a importância do poço e o que ele representa para uma turma que vive em locais desertos e com pouca água:

Foi à beira de um poço que o servo de Abraão encontrou Rebeca, a futura noiva para o seu filho Isaac (Gn 24, 13 ss);

Jacó encontrou-se com Raquel sua esposa, predileta,  ao lado de um poço (Gn 29, 1-14);

Num poço, Moisés encontrou-se com as filhas de Jetro e entre elas, Séfora, sua futura esposa (Ex 2, 16 – 21);

O poço de Sicar (Evangelho em questão) foi o local em que a humanidade (Samaritana) encontrou-se com o seu noivo (Jesus). Somente ele pode matar a sede profunda da humanidade. Jesus é essa fonte de água viva para todos os povos. Ele não faz distinção de judeu, samaritano, pobres, ricos, feios e bonitos... Ele veio para quebrar todos os preconceitos sociais e, ao final da conversa a coisa inverteu, pois, quem lhe pediu água foi a mulher.

O início da conversa foi pesado. A mulher, sem nome, de cinco maridos, estava com cinco pedras na mão. Mas, Jesus a desarmou, pois quando dois não querem um, sozinho, não briga. A mulher quer, o tempo todo, demarcar territórios. Evidencia uma distancia entre os dois, questiona a capacidade de Jesus de tirar água do poço e o interroga sobre o local certo para adorar a Deus.  Para ganhar aquela alma e os amigos dela, Jesus mantém a calma e não lhe devolve a agressividade. Diante disso, não tem coração que não desarma! É mais fácil pegar uma mosca com uma única gota de mel do que com um barril de fel. Jesus tinha mais que uma gota de mel. Era doçura em pessoa e, por isso, acabou ganhando o coração daquela mulher que, pela primeira vez, conhecia o amor verdadeiro. Uma mulher de cinco maridos era uma mulher despersonalizada. Mas, agora ela encontrava uma reintegração consigo mesma. Então, depôs as armas e, em vez de guerrear, foi anunciar aos seus, o que havia encontrado. Tornou-se uma missionária depois que quebrou os preconceitos e experimentou o amor em estado puro.

O encontro com Cristo é sempre transformador e faz a pessoa mudar a sua rota. A mulher que foi buscar água esqueceu o pote para trás. Encontrou algo melhor e mais significativo para sua vida. Um belo exemplo para todos nós. Não fiquemos agarrados aos nossos potes quando já podemos ter o poço inteiro!

  Imagem de Karen .t por Pixabay

 

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  1. Encontrar-se com Cristo, deixar que Ele nos toque, beber nessa fonte que jorra para a vida, eis, pois, nossa única meta!

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