A mulher que fazia o homem virar bicho
O nome dela era Circe, a filha do sol. Perdido em alto mar ao voltar da guerra de Tróia Odisseu acabou parando em sua ilha. Essa história ...
O nome dela era Circe, a filha do sol. Perdido em alto mar ao
voltar da guerra de Tróia Odisseu acabou parando em sua ilha. Essa história
está narrada na Odisseia, um clássico da literatura grega, atribuído a Homero.
Quem está perdido não caça caminho, mas, no caso de Odisseu nem havia caminhos.
Estava mesmo solto no oceano e perseguido pelo dono da casa, Posseidon, o deus
do mar. Chegando à ilha desconhecida Odisseu enviou alguns de seus companheiros
para espionar o território. Estranhamente somente um deles voltou para fazer o
relatório que, também, era muito estranho. Ele e seus amigos encontraram um
belíssimo palácio na floresta onde foram recebidos por uma encantadora mulher.
Ela os recebeu divinamente e, nem poderia ser diferente, tendo em vista, que
era uma deusa. Acontece que, a dita cuja, misturou uma droga na bebida. Assim
que os guerreiros a ingeriram foram logo transformados em animais, cada um,
conforme sua natureza. Os mais bravos foram transformados em leões, os mais
porcos em porcos mesmos, e daí por diante. Apenas, um deles escapou para levar
o relatório ao chefe da expedição, ou seja, Odisseu.
Odisseu não era homem que deixava barato. Por isso, foi
pessoalmente, verificar a questão. Ele também teria sido uma vítima se não
fosse socorrido por Hermes no caminho. Hermes, o porta voz de Zeus,
ofereceu-lhe uma planta medicinal para neutralizar os efeitos da poção mágica
da feiticeira. Assim que Odisseu chegou ao palácio de Circe ela o recebeu de
forma magnífica. Sentindo sua bravura pensou que teria mais um leãozinho para
sua coleção de bichos. Mas, estava enganada, pois, o seu veneno não causou
nenhum mal em Odisseu. Foi ele quem a ameaçou com uma faca no pescoço para ter os seus homens de volta. Antes de
retornar ao barco ainda se deitou com ela na cama. Longe de sua terra e sedento
de amor pode apreciar grandes prazeres junto à deusa. Quando partiu ainda
arrancou dela algumas orientações para prosseguir sua viagem. Se você fosse
Odisseu, voltaria ao barco ou permaneceria junto à deusa aproveitando cama,
comida e roupa lavada? A resposta só você pode dar.
Saindo do mito para a vida real, penso, que todos nós temos
um pouco de Odisseu. A vida é nossa odisseia, uma viagem cheia de supressas e
promessas sedutoras, para nos desviar do reto caminho. Diante de algumas
propostas tentadoras o homem vira bicho mesmo e se esquece de sua humanidade.
Digo isso, sem querer ofender os bichos, pois, às vezes, agimos pior do que
eles. Um animal não mata o outro por dinheiro nem rouba do outro com desejo de
acumular. Alguns comportamentos humanos, devem envergonhar, até mesmos, os
bichos. As Circes de hoje têm outros nomes e outras formas de atuação. Apesar
das diferenças ainda enfeitiçam os homens e os tiram de suas rotas. Mas, o
inverso também pode acontecer.
Numa relação humana em vez de um melhorar o outro pode
piorar. Algumas mulheres exercem verdadeiros encantamentos nos homens ao ponto
de fazê-los perderem as cabeças. Que o diga a famosa Dona Beija, Jesabel,
Herodíades e tantas outras. Nem todos
que são enfeitiçados assim, podem contar com a ajuda de Hermes. Dizem que, “por
trás de um grande homem tem sempre uma grande mulher”. Mas, se a mulher for
muito rasteira ela pode transformar o homem num animal rastejante. Lembrando
sempre que o inverso também pode acontecer.
Através de histórias, aparentemente, fantásticas a mitologia
fala de nós mesmos. Ela projeta nos deuses e deusas os comportamentos humanos.
Quando a entendemos compreendemos melhor nossos dilemas. O mundo pode mudar,
mas as nossas questões humanas continuam parecidas. Em todos os tempos o homem
foi carente, supersticioso, medroso... Odisseu e Circe sempre existiram com
outros nomes e outras performances. Então, vale a pena conhecer os relatos antigos
para entendermos a nós mesmos.
Imagem de Jorge Barahona por Pixabay




Padre, extrair mensagens das lei turas que fazemos é muito bom, e a odisseia assim deve ser percebida. Hoje escolheu nesta passagem uma continuação do poder da sedução e seus perigos.
ResponderExcluirTudo esta em transformação, parece que nos dias atuais, o ódio está imperando sobre o amor muito frequentemente. Todo dia uma trágica morte de uma mulher pelo companheiro ou ex.
Será que tem uma passagem neste livro que explicaria este domínio do homem sobre a mulher? A mulher é sempre vítima, e não mais tendo poder sedutor para a vida.
Finalizo dizendo que é bom ouvir uma música com vozes afinadissimas, o que também tá raro acontecer.
.
A mitologia grega é mesmo muito reveladora de quem somos! Estou em busca de minha identidade ainda! 😃
ResponderExcluirUfffa, que susto! Pensei que não fosse defender os animais,pois, quanto mais conheço o bicho humano ,mais amo os animais. Claro que toda regra tem sua excessão. É que, está difícil viver nessa selva onde a maioria só querem ser e ter. Mas, aprendemos como sobressair bem e no saculejar da carroça as abóboras se ajeitam.
ResponderExcluirBom dia, Padre Geraldo! Fantástico o texto! Exatamente isso mesmo que acontece em muitos relacionamentos. Vou compartilhar! Adorei! 👏👏👏
ResponderExcluirAdorei este texto Padre Geraldo;isto acontecer nos dias atuais, quase todos os dias
ResponderExcluirPadre Geraldo, como sempre o senhor escreve textos de acordo com a realidade dos nossos dias, sempre acontece com vários casais tragédias, ciúmes, ganância por dinheiro,traições. O senhor é um Padre diferenciado.
ResponderExcluir