Diante de um grande problema é preciso uma fé de qualidade
O Evangelho de São Mateus (Mt 17,14-20) relata a cura de um menino com um mal espiritual. Enquanto Jesus rezava na montanha o pai da crian...
O Evangelho de São Mateus (Mt 17,14-20) relata a cura de um
menino com um mal espiritual. Enquanto Jesus rezava na montanha o pai da criança
procurou seus discípulos para curá-lo, na planície, mas, eles não conseguiram. Jesus
os repreendeu pela falta de fé e ofereceu-nos uma catequese sobre o tema: A fé,
ainda que do tamanho de uma semente, tem imenso poder! Depois disso, mandou trazer
o menino e o curou.
A fala de Jesus, num primeiro momento, parece contraditória:
Atribui o fracasso dos discípulos à pouca fé e, ao mesmo tempo, diz que basta
uma pequena fé para transportar montanhas... Na verdade, Jesus não fala de quantidade,
mas, de qualidade. Será que nossa fé tem qualidade? Fé de qualidade é aquela
que não duvida nem vacila, é uma espécie de cheque em branco ao portador.
Essa passagem bíblica precisa ser bem entendida sob pena de
levar a conclusões distorcidas. Não adianta você “mentalizar” diante de uma
montanha para que ela se mude de lugar! As coisas não dependem de nós e sim de
Deus, afinal, foi Ele quem criou os vales e montanhas. Uma “teologia da
prosperidade” é que põe o foco no sujeito como se tudo dependesse dele e de seu
pensamento positivo. Isso é muito estranho, pois, nem tudo depende de nós. Dizia Santo
Inácio de Loyola: “Devemos agir como se tudo dependesse de nós, mas, sabendo
que, na verdade, tudo depende de Deus” (1). Isso significa que devemos nos
esforçar ao máximo, usar nossos talentos, estudar, trabalhar e nos dedicar com
total responsabilidade às nossas tarefas, sem acomodação ou preguiça, mas,
sabendo que tudo depende de Deus. Sem mim nada podeis fazer... (Jo 15, 5).
A fé verdadeira fé se prova nas dificuldades e perdas da vida e
não nos momentos de glória. É nas provações que mostramos a qualidade de nossa
fé, que não questiona os propósitos de Deus. Ele não é o gênio da lâmpada que
obedece às nossas ordens. Não nos basta uma visão positiva que exige tudo de
Deus como se ele fosse nosso escravo. Ele nos atende do jeito dele na hora que
ele quiser e ninguém é dono de sua agenda. A nós compete dizer como Maria: Faça-se
em mim conforme vossa vontade! Essa é a mesma expressão que rezamos na oração
do Pai Nosso: Seja feita a vossa vontade...Melhor do que nós, Deus sabe do que precisamos, e nós nem sempre sabemos pedir. Na Carta a Tiago (Tg 4, 3) encontramos
o seguinte: "Vocês pedem, mas não recebem, porque os seus motivos são
maus; pedem apenas para gastar em seus próprios prazeres"...
Quando vejo a “performance” de alguns líderes “religiosos”
que atuam nos meios de comunicação, atualmente, penso que eles são os donos da
agenda de Deus. Deus parece obedecê-los realizando milagres, sob encomenda, com
datas e horas marcadas. E como gritam! Será que Deus é surdo? Será que buscam a
glória de Deus ao a glória de si mesmos? Ter fé é aceitar os propósitos de Deus
ou querer que Ele desça do céu para realizar nossos propósitos?
Aceitar os propósitos de Deus, principalmente, quando não os
entendemos é sempre desafiador. Que Maria, a Mãe de Jesus nos ensine a dizer
sim, mesmo quando a realidade parece incompreensível!
1-
(Cf:
Pedro de Ribadeneira, Vida de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998)
Imagem: Gerada por IA (Gemini)
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Meu DEUS que reflexão objetiva, maravilhosa! Hoje eu falei frase, rezar como se tudo dependesse de Deus, agir como se tudo dependesse de nós. Só não lembrava que Santo Inácio a escreveu. Isto é sublime demais, assinar uma folha em branco e deixar que DEUS escreva o que Ele quiser.Seja perseverante na Fé e terás o perfume da serenidade! Eu faço leituras todos os dias,porque difícil é ficar sem estudar.Obrigada Padre Geraldo Gabriel pela estupenda reflexão!
ResponderExcluirQue maravilha de reflexão, Deus nos proporciona o que é melhor para nós, mas muitas vezes nos falta discernimento.para entender.
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