O Profeta Ezequiel e sua encenação pedagógica

  O texto bíblico sobre o qual falarei hoje foi tirado do Profeta Ezequiel, um profeta que viveu no Séc. VI a. C (Ez 12, 1- 12). Ele se pare...

 

O texto bíblico sobre o qual falarei hoje foi tirado do Profeta Ezequiel, um profeta que viveu no Séc. VI a. C (Ez 12, 1- 12). Ele se parece a um roteiro de teatro pois, o profeta, através de ações simbólicas, acenou para uma questão real, ou seja, o exílio da Babilônia onde ele também foi parar juntamente com seu povo. Na “encenação” ele preparou uma “bagagem de exilado”, à vista de todos, cavou um buraco no muro e saiu por ele, à noite, com a cabeça coberta. Naquele tempo as cidades eram fortificadas e para ataca-las o inimigo fazia um buraco no muro. O governante daquela cidade era levado pelo exército inimigo com a cabeça coberta.

O exílio para a Babilônia não aconteceu de uma única vez. Em quatro etapas o povo foi deportado sendo que a primeira aconteceu em 605 a. C. Nessa primeira etapa o Profeta Daniel foi para o cativeiro junto com o povo. Quem ficou no pais respirou aliviado pensando que tudo já tivesse terminado. Foi nesse contexto que agiu o Profeta Ezequiel como um “desmancha prazeres”. Ele alertava o povo dizendo que o mal iria continuar mas, o povo parecia cego e surdo. Foi então, que ocorreu a segunda deportação para a Babilônia em 597 a. C. Ela foi motivada por uma revolta do Rei Joaquim (Jeconias). A consequência dessa rebelião é que o rei com toda sua família e cerca de mais dez mil pessoas foram parar no cativeiro, incluindo o Profeta Ezequiel.

A catástrofe ocorrida ao povo não parou por aí, pois em 587-586 a. C, ocorreu a deportação de mais um contingente de pessoas. Nessa ocasião, os babilônios cercaram Jerusalém por dois anos e demoliram suas muralhas. O Templo também foi saqueado e também demolido. Por volta de 582 a. C, a “cereja do bolo” foi a deportação do último contingente de pessoas com o assassinato do governador.

A consequência da surdez do povo à palavra dos profetas foi amarga, pois o cativeiro durou mais de 50 anos. Não faltaram alertas dos profetas, mas a maioria deles foi ignorada. Via de regra, o profeta vê o que a maioria não vê e que os poderosos não querem ver. Ao sair com a cabeça coberta, durante a noite (versículo 12), o profeta queria mostrar ao povo que o seu governante, o rei Cedecias faria o mesmo fugindo do cerco, o que de fato, aconteceu. Mas, de nada adiantou pois, ao tentar a fuga, mais tarde, o rei foi capturado, viu o assassinato de seus filhos e teve os olhos furados sendo levado, em seguida, para o cativeiro.  

Os profetas de todos os tempos, geralmente, não são muito amados, pois falam o que o povo não quer ouvir. É mais fácil navegar em favor da corrente do que contra ela. João Batista, por exemplo, o “maior de todos os profetas” teve a cabeça cortada numa noite de festa palaciana. Infelizmente, isso ainda acontece. Os poderosos gostam muito de aplausos mas, nem sempre toleram, quem critica suas decisões políticas. Ezequiel cumpriu o seu papel e foi ignorado embora estivesse correto. Muito sofrimento, talvez pudesse ser evitado se o profeta fosse ouvido. Será que ainda temos profetas? Será que ainda ouvimos os profetas de nosso tempo ou preferimos ignorá-los? Pense nisso!  


Imagem em destaque, criada por IA (Gemini)

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