Jesus e sua preocupação com os enfermos
No Evangelho de São Lucas (Lc 9, 1- 9), é evidente a grande preocupação de Jesus com os doentes: “Ele convocou os doze, deu-lhes poder e a...
No Evangelho de São Lucas (Lc 9, 1- 9), é evidente a grande preocupação
de Jesus com os doentes: “Ele convocou os
doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças,
enviou-os a proclamar o Reino de Deus e curar os enfermos...” Em outra passagem
ele identificou-se com o próprio enfermo: “Estive
doente e você me visitou” (Mt 25, 36). Às vezes, ele mesmo aproximava-se e
perguntava o que estava acontecendo. Vemos isso no episódio da cura do
paralítico na Piscina de Siloé (Jo 5, 6) quando Ele aproximou-se dele e perguntou:
Queres ficar curado? Noutra ocasião, ofereceu-se para ir à casa do centurião e
curar-lhe o servo (Mt 8, 7). Jesus não fugiu nem das doenças contagiosas pois,
inúmeras vezes, aproximou-se dos leprosos para curá-los.
Curar os doentes faz parte do plano de Jesus para todos nós,
seus seguidores. Por isso, ao enviar os discípulos ele deu-lhes o poder para curar
as doenças. É bom dizer que muitas doenças não são curadas com remédios. Há
remédios para solidão, frustrações ou o sentimento de abandono, tão comum em
nossos dias? Às vezes, o que o doente mais precisa não é de remédio mas de amor
e atenção. Quantas doenças atualmente, são de fundo emocional? A mãe idosa, às
vezes, adoece por falta da presença dos filhos...
No trato com os doentes o melhor remédio que devemos usar é a
misericórdia. Ela nos faz debruçar sobre as misérias alheias e sentir como
nossas, as dores dos outros. É preciso sentir que todos estamos sujeitos às
limitações e enfermidades. Se hoje fecho os olhos para as necessidades do outro
amanhã, talvez, eu não encontre olhos abertos para as minhas. Visitar um enfermo para nós não dever ser
apenas um gesto de cortesia mas um fruto de misericórdia. São Vicente de Paulo,
pode nos orientar melhor nessa questão. Vejam o conselho que ele deu a uma de
suas auxiliares ensinando-a como se comportar diante do enfermo:
[A servidora] ao
abordá-los, deve saudá-los alegre e caridosamente, acomodar a prateleira na
cama, dispor por cima um guardanapo, uma taça, uma colher e pão, fazer com que
os doentes lavem as mãos e dar as Graças, verter a sopa numa tigela e pôr a
carne num prato, acomodando tudo isso na referida prateleira, e então convidar
o doente caridosamente a comer, pelo amor de Jesus e de sua santa Mãe, sempre
com amor, como se cuidasse do próprio filho, ou antes de Deus, que considera
feito a ele próprio o bem que ela faz aos pobres. Ela lhe dirá então alguma
palavrinha de Nosso Senhor, buscando nesse sentimento animá-lo, se estiver
muito desanimado, cortando por vezes sua carne, dando-lhe de beber, e, assim o
tendo posto a comer , se houver alguém perto dele, o deixar ir ao encontro de
um outro para tratá-lo da mesma maneira, lembrando-se de começar sempre por
aquele que tiver alguém junto de si e de terminar pelos que estiverem sozinhos,
para poder ficar com eles por mais tempo; e depois voltará à noite para trazer-lhes
a ceia com os mesmo utensílios e a mesma ordem que acima. (1)
É preciso sabedoria para visitar um doente ou pessoa idosa.
Assim, devemos evitar assuntos tristes e desagradáveis; ter disposição para
ouvir a mesma história muitas vezes... É preciso disposição para realizar
pequenos serviços e, quando possível, fazer orações com a pessoa. Mas, tudo isso
deve ser feito com moderação, respeitando a condição do idoso ou do enfermo.
Esse tipo de visita humaniza e acalma o ambiente. Além disso, nunca devemos
falar alto, fumar, ou contrariar a pessoa com assuntos tristes.
Santo Agostinho dizia que “a misericórdia é o lustro da alma”
pois faz a alma aparecer boa e formosa. A Bíblia, por sua vez afirma que “a
caridade apaga uma multidão de pecados” (Pr 10, 12 - 1ª Pd 4, 8). Quem mais se
beneficia com a visita aos enfermos costuma ser o próprio visitante. Em vez de
ajudar ele acaba sendo ajudado. Por isso, devemos ter pressa em servir. Ao
saber que sua prima precisava dela Maria foi às pressas ajuda-la. Nesse sentido
foi um grande exemplo para todos nós. Temos razões quando a invocamos como “Mãe
de misericórdia”, “saúde dos enfermos” e “consoladora dos aflitos”. Que ela nos
ajude a cumprir essa nobre missão deixada por seu divino filho!




A missão dos discípulos era anunciar o Reino e levar cura às pessoas. Hoje, o mundo continua precisando dessa mensagem. Há muitas pessoas feridas, desanimadas, solitárias e sem esperança. Às vezes, uma palavra amiga, uma oração, uma visita, um gesto de carinho ou simplesmente ouvir alguém pode ser uma maneira concreta de anunciar o Reino de Deus. Não precisamos fazer coisas extraordinárias. Precisamos fazer com amor aquilo que está ao nosso alcance.
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