O perdão não muda o passado, mas, pode mudar um futuro

  No Evangelho de São Mateus (Mt 18, 15-20), encontramos uma verdadeira aula de Jesus sobre o perdão. Pedro aproximou-se dele e perguntou-lh...

 

No Evangelho de São Mateus (Mt 18, 15-20), encontramos uma verdadeira aula de Jesus sobre o perdão. Pedro aproximou-se dele e perguntou-lhe: Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Sete vezes parecia muito e, talvez, por essa medida generosa ele esperasse ouvir um elogio de Jesus. Mas, o que aconteceu foi bem diferente, em vez do elogio ganhou um puxãozinho de orelha: “eu não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, respondeu Jesus. Pensando bem, Pedro foi generoso mesmo, pois temos dificuldades de perdoar uma uma vez!

Com essa resposta Jesus ensinou-nos que não devemos contabilizar o perdão sob pena de contabilizar também as mágoas. Deus nos perdoa sempre sem relembrar-nos de nossas faltas. O perdão não muda o que passou nem apaga a gravidade daquele que nos ofendeu. Mas, pode mudar nosso futuro, pois quem não perdoa continua a arrastar um peso inútil que só lhe prejudica. Não perdoar é como deixar um inimigo morando no coração sem pagar aluguel. O perdão não minimiza a falta daquele que a cometeu, mas, alivia a barra daquele que a sofreu. Não perdoar é sofrer diversas vezes pelo mesmo mal. Quem não perdoa toma um veneno esperando que o outro morra. Na verdade, quem morre, aos poucos, pelo rancor e pelas mágoas antigas é a própria pessoa. O perdão é atitude de quem conhece a si mesmo, pois, ninguém é perfeito. Todos temos nossas falhas e, sendo assim, o outro pode me magoar, mas, quantas vezes eu também magoei as pessoas? Só quem se imagina perfeito tem dificuldades em perdoar.

O Evangelho citado mostra que um homem foi perdoado de uma grande dívida. Sua dívida seria impagável ainda que ele trabalhasse a vida toda para quitá-la. Prostrado diante do credor suplicava, inutilmente, um prazo para pagar. Tamanha foi sua surpresa quando sua dívida foi perdoada. Em vez de castigo, recebeu perdão, em vez de prisão ganhou a liberdade para refazer e reconstruir a própria vida. Isso poderia servir-lhe de lição. Uma vez que experimentou o perdão também deveria perdoar. Mas, não foi isso que aconteceu. Fez exatamente o contrário com quem lhe devia uma micharia. Por isso teve que aguentar as consequências depois. É bom prestar atenção nesse ensinamento: o perdão recebido deve ser também concedido! Na oração do Pai Nosso aprendemos isso com Jesus: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos ofendeu...”

Nosso orgulho ferido, muitas vezes, nos impede de dar o primeiro passo em busca do perdão. Infelizmente isso ocorre até dentro de casa numa mesma família. Dois irmãos permanecem inimigos por longos anos e nenhum quer dar o primeiro passo no sentido da reconciliação. Às vezes, só fazem as pazes diante do caixão da mãe que sonhou a vida toda com aquele momento. Que pena! Isso poderia tê-la alegrado tanto em vida!

Perdoar não significa esquecer de maneira mágica e nem faz restabelecer a confiança perdida rapidamente. Às vezes, precisamos de um tempo para reacomodar as situações e os relacionamentos rompidos. Mas, é importante nosso esforço nesse sentido inclusive recorrendo à oração. Uma ferida cria casca com o tempo, mas, quando remexida costuma sangrar de novo. Por isso, o perdão não acontece de uma única vez. Devemos pedir a Deus que nos ajude a perdoar uma mesma mágoa sempre que ela retornar à nossa lembrança. Então, com o tempo e a ajuda da graça aquela situação dolorosa vai se apagando. Em alguns casos, talvez, seja preciso buscar orientação espiritual ou psicológica. Não seria errado buscar todos os recursos para nos ajudar na superação de algumas dores. O sacramento da confissão é também chamado “sacramento da cura” pois, sendo bem feita pode curar-nos por dentro. Pense nisso! Quem sabe não esteja na hora de procurar esse sacramento?

      Imagem de Pexels por Pixabay

     

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  1. Com certeza, o perdão é muito nobre para as partes envolvidas! Parabéns Padre Gabriel, suas reflexões são remédios para nossa alma.

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  2. Boa noite, sim,devemos perdoar porém, não é fácil,muitas das vezes o ser humano é traiçoeiro.

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  3. Perdão ! Acontece que dependendo do fato ocorrido , não é fácil. Uma orientação espiritual, ou deixar que o tempo vai passando e recebemos de Deus na sabedoria, a graça de perdoar.

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