Filhinhos, amai-vos uns aos outros...

A expressão, carregada de carinho, que intitula esse texto foi tirada de São João (1 João 3:18). Ele, certamente, a escreveu na velhice. Seu...

A expressão, carregada de carinho, que intitula esse texto foi tirada de São João (1 João 3:18). Ele, certamente, a escreveu na velhice. Seu estilo carinhoso e paternal mostra a sabedoria de alguém que já não perde tempo com elocubrações sem sentido, mas vai direto ao ponto. O ponto, no caso, é a vivência do amor. Sendo o discípulo amado entendeu, melhor do que todos, o que significou esse mandamento dado por Jesus, aos seus, na última ceia: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei... (Jo 15, 12). Não se trata de um novo mandamento, mas do mandamento por excelência. Por isso dizia Santo Agostinho: Ame e faça o que quiser (Comentário à 1ª Jo - Tratado VII, 8). Fazer o que quiser não é permissão para fazer o mal pois, quem ama não irá fazer mal a ninguém, pelo contrário, vai doar a vida se for necessário. Aliás, essa seria a maior prova de amor (Jo 15, 13). O Apóstolo Paulo também entendeu a importância do amor em todas as nossas ações. Chegou a dizer: ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor de nada me adiantaria (1Cor 13, 1).

Escrevendo aos cristãos de Roma Paulo os exortava a viverem no amor: “Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei” (Rm 13, 8). Nossas dívidas poderão ser quitadas, mas, nunca quitaremos a dívida com relação ao amor. Podemos amar sempre mais e melhor aos nossos irmãos. O parâmetro para essa vivência do amor é Cristo. Devemos amar o próximo não como a si mesmo, mas como Cristo o ama. Isso explica o porquê não conseguiremos pagar essa dívida pois, jamais conseguiremos amar o próximo como Jesus o ama. Nesse quesito podemos e devemos progredir sempre.  

O Evangelho nos ensina que amar o próximo não é concordar sempre com ele. Esse amor é exigente e nos faz responsável uns pelos outros. Por isso Jesus nos falou da necessidade da correção fraterna. Devo alertar ao meu irmão quando ele erra, para o bem dele mesmo. Quando isso é feito com amor costuma dar certo, embora, não seja fácil. Não é fácil dizer ao outro que ele está equivocado ou fazendo escolhas erradas na vida. Santa Terezinha viveu esse drama e pode nos ensinar muita coisa nesse sentido. Em seu livro “História de uma Alma”, ela narra como resolveu um problema de correção fraterna e como agiu para corrigir uma irmã sem perdê-la:

Aos quinze anos, quando tive a ventura de entrar para o Carmelo onde encontrei uma companheira de noviciado que me precedera alguns meses. Ela era mais velha que eu (...) tínhamos permissão de estarmos juntas e estabelecer entre nós breves diálogos espirituais. Eu gostava muito dela, mas gostaria também que ela mudasse no modo de proceder com relação às irmãs. O Bom Deus fez-me compreender que algumas almas só conseguem a iluminação gradativamente. Por isso, esperava a hora certa de conversar com ela, sobre isso. Certo dia, Deus me fez perceber que o momento havia chegado. Pedi a Ele que pusesse as palavras certas em minha boca, ou melhor, que Ele mesmo falasse por mim... Quando chegou a hora combinada para estarmos juntas, a pobre irmãzinha, lançando os olhos em mim, logo percebeu que eu já não era a mesma. Ruborizada, sentou-se ao meu lado, enquanto eu, apoiando sua cabeça contra meu coração, com voz lacrimosa lhe dizia tudo o que pensava a respeito dela, mas em termos tão delicados, e testemunhando-lhe tanta afeição, que suas lágrimas logo se misturaram com as minhas Reconheceu, com muita humildade, que tudo quanto eu dizia era exato. Prometeu-me começar vida nova, pedindo-me como uma graça que sempre a advertisse de suas faltas. Afinal, ao momento de separar-nos, nossa afeição se tornara toda espiritual e nada tinha de humana. Em nós se averiguou a passagem da Escritura: “O irmão que é ajudado pelo irmão, é como uma cidade fortificada “- Pr 18,19 - Nº 308, Cap XI (Os que me haveis dado).

No Evangelho de São Mateus (Mt 18, 15-20), Jesus nos dá algumas orientações sobre a correção fraterna. O objetivo dela é salvar o irmão pois, somos responsáveis uns pelos outros. Aprendamos com Santa Terezinha e peçamos a Deus que nos dê as palavras certas para corrigir o irmão que errou e que nos dê humildade para aceitar as correções quando erramos.

Foto: Pe. Gabriel

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  1. Padre, acho que com raras exceções é na maturidade que a gente consegue aceitar sem dar nossa receita para a vida do irmão. Entender que cada pessoa age conforme seu nivel de entendimento, fazendo a escolha que acha certo, assim temos que exercitar a compreensão, o respeito, e até mesmo amor.
    Jesus o tempo todo com amor, tem nos corrigido, basta estarmos abertos(as), aos seus ensinamentos.

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