Os caminhos de Deus e os nossos
Refletindo sobre a Palavra de Deus uma coisa me parece clara: Os caminhos de Deus são muito diferentes dos nossos e os seus pensamentos be...
Refletindo sobre a Palavra de Deus uma coisa me parece clara:
Os caminhos de Deus são muito diferentes dos nossos e os seus pensamentos bem
mais elevados que os nossos (Is 55, 6-9). Para entendermos essa questão,
basta-nos contemplar a cruz de Cristo. Quem de nós, tendo tudo para mudar uma
situação escolheríamos morrer na cruz em vez de massacrar os inimigos? Longe de
ser um sinal de poder a cruz era sinal de fracasso e condenação. Deus escolheu
esse caminho surpreendente para nos ensinar que não se combate o mal com um mal
maior, mas, com amor. De fato, na cruz o amor venceu o ódio e a vida venceu a morte.
Jamais iríamos agir como Deus agiu para nos ensinar uma grande verdade: O amor
é mais forte que a morte!
Muitas vezes não entendemos o agir de Deus porque ele não age
com nossas medidas. Nós não conseguimos perdoar nem sete vezes, como disse
Pedro e Deus pede de nós um perdão infinito. Ele não contabiliza nossas falhas para
nos perdoar e nem põe condições para nos amar. Mas, conosco o jogo é diferente.
Por isso, afirmamos: “Amor com amor se paga!” Paga mesmo? Existe moeda capaz de pagar um
amor de mãe?
Em nosso relacionamento com Deus, às vezes, somos mais
fariseus do que pensamos. Nesse caso, Deus é visto como um patrão que paga cada
um conforme suas ações. Cumprindo a lei de forma meticulosa os fariseus
pensavam ter direitos sobre Deus. Nessa perspectiva a salvação não seria dom,
mas retribuição. Na verdade, a salvação não vinha de Deus, mas era resultante
do esforço humano. Isso fica claro na parábola dos trabalhadores, narrada por
São Mateus (Mt 20, 1 - 16). Na lógica da parábola, deveria receber mais, quem mais
trabalhou. Contrariando essa expectativa, o patrão pagou a todos igualmente.
Não foi injusto com os primeiros trabalhadores porque pagou-lhes, o que fora
combinado. Mas, foi generoso com os últimos pagando-lhes o mesmo valor pago aos
primeiros.
Mateus escreveu o seu Evangelho para cristãos vindos do judaísmo
que, pelo jeito, estavam com ciúmes dos cristãos de origem pagã, aqueles que chegaram
na última hora. Sendo os primeiros convertidos, os cristãos de origem judaica
pensavam ter mais direitos que os outros. Com a parábola dos trabalhadores
Mateus ensinou que Deus nos ama a todos igualmente. O “bom ladrão” obteve a salvação
no último segundo de sua vida. Jesus não exigiu dele uma mudança de vida pois,
ele nem teria mais vida para ser mudada. Salvou-o de graça! A salvação é de
graça e não resultado dos méritos que supomos possuir. Na comunidade de Jesus
não há diferença de raça, cor, sexo ou condição social. O dom de Deus é como a
chuva que desce do céu para justos e injustos. Isso precisamos entender. Deus
não faz diferenciação de pessoas.
Dizer que a salvação é dom não quer dizer que, de qualquer
jeito, seremos salvos pois, esse dom supõe o nosso acolhimento. Experimentando
tão grande amor, também devemos vivê-lo em nossas vidas. Mas, nosso amor é sempre
uma resposta a Deus que nos amou primeiro “quando ainda éramos pecadores”. É bom acrescentar que o amor de Deus não nos
poupa do sofrimento, mas, na ótica da fé, o próprio sofrimento pode ser
purificador. No deserto o povo de deus passou por grandes provações, e experimentou
também, o grande amor de Deus. No exílio da Babilônia, o povo sofreu, mas,
também aprendeu grandes lições. Exilado Israel tomou consciência de suas faltas
e percebeu a consequência de suas infidelidades. Descobriu que viver longe de
Deus não valia a pena, assim como o filho pródigo, que teve que descer ao fundo
do poço para perceber a grandeza de seu pai e as belezas da casa paterna.
Deus é maior do que nós e isso é maravilhoso, pois Ele sempre
nos surpreende e nos encanta. Ainda bem que Ele não age como nós e nem entra em
nossos esquemas. Hoje somos convidados a descobrir esse Deus que age de forma
amorosa e não faz distinção de pessoas. Diante dele todos somos iguais e para conhecê-lo
melhor é preciso mergulhar cada vez mais fundo nesse oceano infinito de belezas
onde o amor nunca termina.
Foto: Arquivo pessoal



A vinha para a qual os trabalhadores foram chamados para trabalhar representa também a missão. Deus continua chamando cada um de nós para edificar o seu Reino: na família, na comunidade, na Igreja, no serviço aos pobres, na evangelização, na construção da paz.
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