Eu também não o conhecia...
Na passagem bíblica de João (Jo 1, 29 – 34), por duas vezes, observamos a fala de João Batista sobre Jesus: Eu também não o conhecia... Is...
Na passagem bíblica de João (Jo 1, 29 – 34), por duas vezes,
observamos a fala de João Batista sobre Jesus: Eu também não o conhecia... Isso
soa estranho aos nossos ouvidos, pois, temos a impressão que os dois cresceram
juntos e partilharam dos mesmos brinquedos e sonhos. Pois bem. O fato de você
conviver com alguém, nem sempre, indica que o conhece. Conhecer na bíblia quer
dizer ter intimidade profunda. Por mais que alguém tenha proximidade com Jesus
ninguém pode conhecer, profundamente, os pensamentos de Deus. Não nos esqueçamos
de que Jesus é Deus. Então, à medida que João vai se aproximando dele, vai
percebendo sua grandeza divina, inclusive, como alguém pré-existente: Ele já existia antes de mim e agora passou
em minha frente... Essa foi uma grande constatação. Jesus para sempre existiu
junto do Pai!
A intimidade que, supostamente, João tivesse com Jesus não o
poupou de se assustar com sua presença iluminada, no dia do batismo. Ao vê-lo
se aproximando para receber o batismo, afirmou: Eu é que devo ser batizado por ti! Ainda no ventre da mãe, João se
estremeceu na presença de Jesus. Por mais santo que ele fosse tinha a certeza
da distancia que o separava de Jesus. O seu conhecimento de Jesus cresce, aos
poucos, até que pudesse compará-lo a uma imagem forte no imaginário de Israel,
ou seja, a imagem do cordeiro. A palavra “talya” em aramaico quer dizer duas
coisas: Servo e cordeiro. Tanto uma imagem quanto à outra poderiam ser aplicadas
a Jesus. Por isso, João afirmou: Eis o
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!
A imagem do cordeiro lembra-nos o cordeiro, cujo sangue,
salvou Israel, no Egito (Êx 12, 13) e a imagem do servo lembra o “servo
sofredor” anunciado por Isaías (Is 49, 3ss) que libertaria o povo da escravidão
da Babilônia. Ambas as imagens estão associadas à libertação de algum cativeiro.
João entendeu que Jesus veio para a mesma função, libertar-nos do cativeiro do
pecado e de tudo o que nos escraviza. Mas, Jesus não é um libertador político
que veio, apenas, para Israel. Ele veio como luz das nações (Is 49, 6). Não
veio salvar, apenas, um grupo ou panelinha. Veio para todos, ainda bem!
João deu um testemunho bonito sobre Jesu ao dizer que ele estava
cheio do Espírito Santo: “Eu vi, o
Espírito descer como uma pomba do céu e permanecer sobre ele. Eu também não o
conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre
quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito
Santo. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus”! (Jo 1, 32)
Com seu testemunho João afirmou que Jesus é a morada definitiva
do Espírito Santo. O Espírito desceu e não voltou, mas, permaneceu sobre ele! Com
isso, João passou do não conhecimento, à
experiência de quem é Jesus e daí ao
testemunho. Esse deveria ser também o nosso percurso de fé, pois não basta
conhecer Jesus pelas metades. É preciso conviver com ele e testemunhá-lo. João
é um exemplo para todos nós, pois também ele percorreu uma trajetória de
dúvidas, incertezas até culminar com uma fé madura e um testemunho firme sobre
Jesus. Jesus veio até nós, como Cordeiro libertador para nos resgatar da morte
pelo seu sangue e nos comunicar a vida plena do Pai. Veio para que tivéssemos vida
e vida em abundância. Pense nisso!




João aponta para o cordeiro de Deus, o cordeiro pascal, que tira o pecado do mundo! Nós, também, devemos anunciar a Jesus, o verdadeiro cordeiro que desceu do céu, e não anunciar a nós mesmos. É necessário que eu diminua para que ele apareça!
ResponderExcluir