O Paraiso de Dante: Onde tudo vibra na frequência do amor
Após descer ao Inferno e percorrer os patamares do Purgatório, Dante galga ao Paraíso. Essa é a terceira parte de sua obra literária, a “D...
Após descer ao Inferno e percorrer os patamares do
Purgatório, Dante galga ao Paraíso. Essa é a terceira parte de sua obra
literária, a “Divina Comédia”. Enquanto no Purgatório as almas foram
classificadas de acordo com os pecados que deveriam ser reparados, no Paraíso
acontece algo semelhante, pois, também há uma espécie de classificação das
almas, embora todas estão plenas e, nenhuma, cobiça o lugar da outra. Todas
podem usufruir da presença luminosa de Deus. A disposição das almas é feita conforme as
virtudes vividas e as virtudes se dividem em cardeais e teologais. O primeiro
grupo é formado por: justiça, temperança, prudência, fortaleza enquanto as
virtudes teologais são: Fé, a esperança e a caridade. A organização do Paraiso
segue um esquema antigo onde a terra ocupava o centro do universo e era
circulada por esferas celestiais. Sendo assim, havia sete céus planetários,
todos iluminados por um ponto único.
1-
O
primeiro céu era a esfera da lua e nele habitavam as almas daqueles que, embora
virtuosos, não conseguiram manter os votos sagrados. Dante conversou com
Picarda, uma freira que abandonou os votos, e ela lhe diz:
2-
4-
O
terceiro céu é o céu de Vênus habitado por aqueles que amaram intensamente. O
brilho dessas almas era como rubis atravessados pelo sol. O texto fala de Raab,
a prostituta que favoreceu os hebreus na conquista da Terra Santa.
“Devia dar-lhe um céu por palma, quando /Assinalar lhe aprouve a alta
vitória, /Que na Cruz teve, as palmas entregando; / Pois que por ela começara a
glória,/Que colheu Josué na Terra Santa,/Que se apagou do Papa na memória” ___
Idem. Canto XIX – O Paraiso – 121 a 126
6-
8-
O
sexto céu é a esfera de Júpter habitado pelos defensores da justiça sendo que a
verdadeira justiça é sempre um reflexo do amor.
9-
O
sétimo céu é a esfera de Saturno onde estão as almas dos contemplativos como
São Pedro Damião, São Bento e muitos outros.
No oitavo e nono Céus a jornada deixa
de ser sobre indivíduos e passa a ser sobre a existência. Nesse espaço de luz
Dante viu Jesus e a Virgem Maria cercada de doces melodias. A partir do Sétimo Céu,
antes de prosseguir a visita Dante teve que ser examinado por São Pedro(Fé),
São Tiago(Esperança) e São João(Caridade). Após esse exame encontrou-se com
Adão que lhe explicou a verdadeira natureza do pecado original.
O nono Céu é o Céu cristalino, é o
Primeiro Móvel é a habitação dos Anjos. É pura velocidade e luminosidade.
Move-se com extrema rapidez denunciando o seu desejo de unir-se, eternamente ao
Empíreo, a habitação de Deus. O Empíreo, fica além do mundo físico e ali Deus
habita envolto em luz. Ele tem um centro, à semelhança de uma grande rosa com
suas pétalas. Trata-se de uma “Rosa Mística”. Nesse “local” São Bernardo
tornou-se o guia do poeta e lhe mostrou que “De
um lado estão os santos cristãos; do outro os hebreus, que acreditaram no
Cristo que devia vir. Entre uns e outros a Virgem Maria. Embaixo de Maria,
mulheres hebréias; mais embaixo as crianças mortas logo depois do batismo”.
São Bernardo pede à Virgem Maria para
que Dante possa contemplar a Deus. Então ele vê um tríplice círculo, ou seja a
Santíssima Trindade. No círculo médio vê figurada a efígie humana. Dante quis
conhecer o modo de união da natureza divina e humana. Então, num repentino
esplender Deus lhe revela o mistério da encarnação de Cristo. Assim terminou a
visão do Paraiso.
“Assim eu ante a nova visão pura / Ver anelara como a image’ humana / Ao
círculo se adapta e ali perdura. / Às asas minhas fora empresa insana, / Se
clareado a mente não me houvesse / Fulgor, que a posse da verdade aplana. / À
fantasia aqui valor fenece; / Mas a vontade minha a ideias belas, / Qual roda,
que ao motor pronta obedece, / Volvia o Amor, que move sol e estrelas”. (O
Paraiso - Canto 136 a 145)
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