Porque os soldados caíram por terra?
No relato da Paixão de Cristo, segundo João (Jo 18,1 – 19,42), dentre tantas cenas impressionantes temos uma, que gostaria de comentar. Tr...
No relato da Paixão de Cristo, segundo João (Jo 18,1 – 19,42),
dentre tantas cenas impressionantes temos uma, que gostaria de comentar.
Trata-se do recuo dos soldados diante da revelação feita por Jesus no Getsêmani.
O texto diz o seguinte:
Jesus saiu com os seus
discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde
ele entrou com os discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque
Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. Judas levou consigo um destacamento
de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com
lanternas, tochas e armas. Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer,
saiu ao encontro deles e disse: A quem procurais? Responderam: A Jesus, o
nazareno. Ele disse: Sou eu! Judas, o traidor, estava junto com eles. Quando
Jesus disse: Sou eu, eles recuaram e caíram por terra...
O texto é bem claro: “Eles
recuaram e caíram por terra!” Bastaria isso para entendermos que, apesar do
aparato militar, Jesus não seria um preso qualquer. Quem era aquele, cuja
presença, fez tombar um destacamento militar? A resposta é simples. É Deus! E ele
mesmo o afirmou: “Ego eimi”, ou seja, “Eu Sou”.
De que adiantariam as armas, as tochas e o próprio exército diante de
Deus?
Essa situação não é rara. A Bíblia nos mostra, em muitas
outras passagens, um comportamento parecido diante de uma revelação divina.
Talvez, o mais familiar seja o que aconteceu ao Apóstolo Paulo que, diante de
uma luz intensa caiu por terra sem visão (At 22, 6ss):
Aconteceu que, na
viagem, estando já perto de Damasco, por volta do meio-dia, de repente uma luz
vinda do céu brilhou ao redor de mim. Cai por terra e ouvi uma voz que me dizia:
Saulo, Saulo, por que você me persegue?
Nesse caso, temos um valentão, caído por terra diante de uma
revelação divina. Paulo que partiu em busca de prender acabou aprisionado por Jesus
e mudou até de nome, pois, quem era Saulo passou a ser chamado de Paulo.
Com o Profeta Ezequiel aconteceu algo parecido. Diante de uma
revelação divina ele também caiu por terra (Ez 1, 28):
“Esse brilho em torno
dele parecia o arco-íris, que aparece nas nuvens em dia de chuva. Era a aparência
visível da glória de Javé. Quando vi, caí imediatamente com o rosto no chão, e
ouvi a voz de alguém que falava comigo”.
O Profeta Daniel também caiu por terra diante de uma
revelação divina:
“Ele falava comigo, e
eu desmaiado, continuava, de bruços, no chão. Tocou em mim e me fez ficar de pé
como estava antes” (
Dn 8, 18ss).
Em Apocalipse 1, 17, João esteve ao ponto de morrer diante de
uma revelação divina:
“Quando o vi, cai junto
a seus pés, como morto. Ele colocou a mão direita sobre mim e disse: Não tenha
medo. Eu sou o primeiro e o último, o Vivente...”
Após enumerar outros comportamentos semelhantes agora podemos
entender melhor o recuo dos soldados diante de Jesus. Mas, muita coisa o
Evangelho não diz. Então, podemos imaginar:
O que será que eles
viram diante da majestosa figura de Jesus? Certamente, um homem sem igual cujas
medidas não cabiam nas suas; Um homem de quem emanava uma luz radiosa que
poderia cegar, se quisesse, qualquer adversário imediatamente; Um homem de cujo
olhar brotava misericórdia em estado puro... Por tudo isso, certamente, eles
recuaram. Talvez, nem quisessem mais prendê-lo e só o fizeram para cumprir
ordens superiores.
Um dia eu também quero sentir essa presença. No meu caso, foi
ele quem me prendeu. Por isso, louvo e bendigo por essas santas algemas e
peço-lhe a graça de jamais separar-me dele.
Imagem de Marta Nevastro por Pixabay




Belíssima reflexão!
ResponderExcluir