Fresta
A curva da estrada não prometia nada. Não informava nada. Não havia dizeres. Mas a luz, escondida atrás da sombra, já sabia. O caminho dob...
A curva da estrada
não prometia nada.
Não informava nada.
Não havia dizeres.
Mas a luz, escondida atrás da sombra, já sabia.
O caminho dobra.
O coração, sem querer, também.
Entre nuvens escuras,
um pedaço de azul,
Vislumbrando céus.
Às vezes, a esperança cabe numa fresta.
A sombra chegou primeiro.
A luz veio depois, como quem conhece o endereço.
Nem reta, nem certa.
A beleza mora onde o caminho faz curva.
A estrada se esconde.
O sol insiste.
E o dia acontece.
Toda curva guarda
um segredo de luz para quem continua.
A palmeira toca o céu.
A estrada toca o chão.
Entre os dois, eu passo.
A sombra desenha dúvidas.
A luz, surpresas.
O caminho virou.
Ainda bem!
Era ali que a tarde me esperava.
Texto: Ana Cláudia SSaldanha
Título: Júlio Saldanha
Foto: Pe. Gabriel



