Quando Deus andou pelo mundo

  Os nossos irmãos do Congado cantam uma música que diz: “Quando Deus andou pro mundo, ai, que beleza! Abençoava todo mundo, louvado seja......

 

Os nossos irmãos do Congado cantam uma música que diz: “Quando Deus andou pro mundo, ai, que beleza! Abençoava todo mundo, louvado seja...”

Tal música remete à minha infância, quando essas histórias eram muito comuns. Acreditava-se que, por alguma razão, Deus saia do céu e resolvia dar uma volta na terra, disfarçado num simples mortal, para conferir a qualidade da hospitalidade humana. Hoje, talvez, ele ficaria decepcionado com a hospitalidade dada aos estrangeiros em muitos países.  

A palavra grega para hospitalidade é “xénia” (ξενία). Daí procede a palavra Xenofobia, ou seja medo do estrangeiro. Xeno: vem de xénos, que significa "estrangeiro" ou "estranho"; Fobia: vem de phóbos, que significa "medo", "fuga" ou "aversão".

Um dos motivos que fizeram os deuses mudar de opinião permitindo o regresso de Odisseu à sua Ilha de Ítaca, foi o mau comportamento dos “hóspedes” em sua casa. Durante sua ausência demorada muitos pensaram que ele estivesse morto na guerra de Tróia. Então, apareceram diversos pretendentes à mão de  Penélope a suposta viúva. Queria casar-se com ela e herdar o reino de Odisseu o seu marido que eles supunham morto. Nesse caso, o abuso aconteceu por parte dos hóspedes que não respeitaram o dono da casa ou a memória dele. Eles foram bem acolhidos por Penélope e seu filho Telêmaco, mas, abusaram da acolhida quando ocuparam o palácio comendo a carne das ovelhas e tomando o vinho de Odisseu sem o mínimo de respeito.

Ao observar o abuso dessa ocupação Atena convenceu Zeus a trazer Odisseu para casa. Ele estava “preso” na Ilha de Calipso penando uma vingança de Posseidon, o deus do mar, por ter furado o olho do eu filho, o gigante Polifemo. O que fez o jogo virar em favor de Odisseu foi uma questão ligado a Xênia, ou seja, a acolhida. No cerne dessa narrativa está uma questão ético moral que fala de um dos valores mais importantes na Grécia antiga embasado no princípio da reciprocidade, ou seja a acolhida. Ao ver o abuso em casa de Odisseu, Zeus, enviou Hermes à ilha de Calipso ordenando-a, que libertasse o “prisioneiro”. Ele deveria voltar para defender sua casa e seu reino dos golpistas de plantão. Como se pode ver essa onda de golpismo é bem antiga...

Depois da ordem de Zeus, Odisseu conseguiu sair da ilha numa jangada improvisada. Ao perceber que ele estava fugindo Posseidon, ainda tentou retê-lo destruindo sua jangada. Ele foi lançado sozinho, sem lenço e sem documento, na ilha dos Feácios. Essa foi sua última parada antes de voltar para casa. Nessa ilha teve acolhida de rei e uma grande festa foi organizada em sua homenagem. Aqui percebemos a importância da xênia, mais uma vez, mas, essa parte da história, fica para outro texto.

Qual seria a atualidade de tudo isso? O que devemos aprender com esses relatos mitológicos? – Uma coisa é certa: Devemos aprender o grande valor da hospitalidade. Quem não gosta de ser bem recebido? Não precisa de tapete vermelho, às vezes, basta um sorriso ou um abraço afetuoso. Na Grécia antiga e também em alguns relatos bíblicos, acolhia-se bem, pois, o estranho poderia ser o próprio Deus disfarçado de peregrino. Mas, será que ainda hoje não deveríamos pensar assim? Será que Deus não disfarça mesmo para ver como estamos acolhendo uns aos outros. Para Madalena Jesus se manifestou como jardineiro; para os discípulos de Emaús como um peregrino; aos discípulos que pescavam ao amanhecer, como pedinte... Será que Deus já se disfarçou em outro para testar sua acolhida?

Pense nisso!

 Imagem de Kris por Pixabay

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  1. Para mim Deus se manifesta nos olhos da criança que me olha todos os dias me pedindo ajuda para aprender algo novo e com esse olhar me ensina o que preciso saber.

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  2. Primeiramente, parabéns, mais uma de muitas vezes, pelo texto que nos traz tanto aprendizado sobre mitologia e bem-viver...
    Acredito que Deus esteja em todo aquele que nos pede ajuda, no doente, no mendigo, no desamparado, em nossos filhos pequeninos...

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  3. Um sorriso e um abraço afetuoso... quem não quer? Obrigada Padre!

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  4. Acho lindo quem acolhe sem escolher!
    Vejo muito isso em você, padre Geraldo.
    Parabéns pelo seu jeito de viver a vida , em relação para com os outros.

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  5. Os relatos mitológicos que o Senhor nos apresenta é muito bom de ler, e tive conhecimento partir das leituras, que tem sempre tem uma rica mensagem.
    Gostei muito de ouvir esta suave música. A escolha foi perfeia para concluir o texto.

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  6. As vezes Deus se manifesta bem perto da gente ., no meu irmão na minha esposa no meu filho como também no doente no morador de rua , no desempregado .

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  7. Boa noite ,infelizmente as portas das casas e de muitos corações foram trancadas para sempre não só para os estrangeiros mas para Deus também não acolhem nem os dad famílias....

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