Um reino aberto a todos
Sempre que leio o Evangelho me surge uma nova inspiração. Essa é a beleza da Palavra de Deus que, encurta o tempo e se mostra, profundamen...
Sempre que leio o Evangelho me
surge uma nova inspiração. Essa é a beleza da Palavra de Deus que, encurta o
tempo e se mostra, profundamente, atual. Hoje, por exemplo, fui surpreendido ao
constatar a imensa confiança de Jesus na palavra de um pagão, supostamente, um
inimigo de seu povo. Trata-se, do encontro dele com o oficial romano. Naquele
tempo, a terra de Jesus estava sob domínio de Roma e o oficial representava
essa dominação. No texto de Mateus (Mt 8,5-17), ele procura Jesus pedido ajuda
porque seu empregado estava doente e sofrendo “terrivelmente” com uma
paralisia. Apesar disso, ele continuava sendo oficial de um exército de
ocupação, sendo, portanto, odiado pelos habitantes locais. Mas, Jesus estava
muito a frente do seu tempo e por isso, não o repeliu, vendo nele, apenas, um
patrão sensível que se preocupava com seus empregados. Por isso, o atendeu
curando-lhe, o servo, à distância, confiando apenas, em sua palavra suplicante.
Você confiaria na palavra de um pagão de um exército inimigo? Certamente, não.
Pois é, aí é que está a grandeza de Jesus. Ele não rotulava as pessoas e nem
separava alguns privilegiando-os no atendimento, mas, atendia a todos que o procuravam.
No caso do oficial romano, ele ainda elogiou sua fé, confrontando-a com a falta
de fé do seu povo. Assim diz o texto: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei
em Israel alguém que tivesse tanta fé!”
A constatação de Jesus sobre a incredulidade
de Israel deve ter machucado muita gente que se considerava modelo de fé.
Afinal, o povo de Israel foi libertado da escravidão do Egito e teve inúmeras
oportunidades para experimentar o amor do Pai! Ser comparado com um pagão, deve
ter doido demais em quem se considerava eleito por Deus. A atitude de Jesus foi
tão inusitada que espantou até mesmo o oficial romano, uma pessoa acostumada em
dar e receber ordens. Por isso ele disse: “Senhor (chama Jesus de Senhor),
eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e meu
empregado ficará curado!” Além do mais, o oficial deveria saber que os
judeus jamais entravam em casa de pagãos. Talvez, quisesse poupar Jesus de tal
constrangimento perante seu povo. Percebendo a fé daquele homem, Jesus ficou
admirado, diz o texto. Sendo Deus e, profundo, conhecedor da alma humana, de
fato, Jesus viu o tamanho da fé e da humildade daquele oficial.
É provável que Jesus, naquele
dia, tivesse entrado em Cafarnaum junto com uma multidão que o seguia e gostava
de ouvi-lo. Na turma deveria ter gente de todo tipo: curiosos, interesseiros,
carentes e espiões. Aquele oficial romano, no entanto, foi o único que
demonstrou ter uma grande fé. Ele não exigiu garantias de Deus. Deu a Jesus uma
procuração assinada em branco. Quanta diferença entre ele e nós! Muitas vezes queremos garantias de milagres e
quando Deus não nos atende fazemos beicinhos. O oficial tinha consciência que
não era merecedor e, apesar disso, manifestou total confiança em Jesus.
Esse foi o segundo milagre
realizado por Jesus, numa lista de dez, de acordo com São Mateus. No primeiro
ele curou um leproso (Mt 8,1-4) para mostrar o resultado de sua palavra cujo
poder o “purificou”. No encontro com o oficial mostrou-nos o quanto é
importante ter fé em sua palavra. A palavra de Jesus não é conversa pra boi
dormir, é portadora de vida e verdade. Os milagres realizados por ele sempre
apontam para outra realidade além daquelas que podemos ver. Eles mostram que só
Jesus pode purificar, curar e restaurar, e que tudo isso aconteceu com a
presença dele entre nós. Ele é o messias prometido e esperado por Israel pois,
somente um Deus poderia fazer o que ele fez. Somente Deus pode perdoar pecados
e ressuscitar os mortos...
O oficial romano, estrangeiro
como Abraão, tornou-se um modelo de fé como o fora o próprio Abraão. Afinal,
Deus pode fazer das pedras filhos de Abraão (Mt 3, 9). Já que os filhos de
Abraão estavam fechados ao reino, Jesus abriu suas portas para todos: “Eu
vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino
dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, enquanto os herdeiros do Reino serão
jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes...”
Pense nisso!
Imagem de Mohammed Aljumaily por Pixabay




Obrigado dicionário Geraldo Gabriel por nos traduzir as palavras do Santo Evangelho!
ResponderExcluirComo o senhor bem mencionou, Cristo estava à frente do seu tempo. Como um judeu poderia adentrar em casa de um pagão e dominador do seu povo? É aí que entra um trecho que li em um dos textos da Bíblia: homem pensa como o homem, não pensa como Deus. Deus é compaixão e amor, sempre os usa para salvação humana, infelizmente historicamente a humanidade abando o caminho de Deus.
Padre, penso que é sempre necessário rezar invocando "Senhor eu tenho fé mas aumentai a minha fé ", esta vida materialista pode nos distrair dos verdadeios valores da nossa existência.
ResponderExcluirFoi tão importante a resposta do oficial a Jesus, que se incorporou nas celebrações recitada por nós, uma adaptação mas no mesmo sentido.
"Senhor eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo".