Um doce rejeitado
Fulano é um doce de pessoa! Quando falamos assim, estamos realçando a beleza de alguém, sua delicadeza no trato com as pessoas e sua boa e...
Fulano é um doce de pessoa! Quando falamos assim, estamos
realçando a beleza de alguém, sua delicadeza no trato com as pessoas e sua boa
educação. O contrário também é verdade. O azedume costuma ser associado ao mau
humor, grosseria e falta de educação. Em nossa convivência diária conhecemos
pessoas doces e azedas. Alguns parecem acordar azedos e, se recebem um bom dia,
retrucam logo: bom dia porquê?
Observando o lado humano de Jesus nos evangelhos podemos afirmar
que ele foi uma pessoa doce, amável e compreensiva. Sabia falar a verdade com
doçura e cativava a todos. Sua bondade manifestava-se na relação com as
pessoas, principalmente, com os mais simples e desamparados. Por causa disso,
ressuscitou o filho da viúva, curou a filha de Jairo, perdoou a mulher adúltera...
Diante dele era impossível não abrir o coração. Engano! Muitos não lhe abriram
o coração nem aceitaram sua mensagem. Entre aqueles que não o aceitaram estão
as autoridades religiosas do tempo e até mesmo seus conterrâneos.
As autoridades religiosas (anciãos, mestres da lei, fariseus,
escribas) consideravam-se donas do sagrado. De tal modo engessaram a religião e
o culto que não permitiam nenhuma sombra de mudança, principalmente, quando
vinham de um “pé rapado”, filho de carpinteiro. Ampliaram a Lei de Moisés em
mais de seiscentos mandamentos, de tal maneira, que a lei, em vez de libertar
as pessoas, transformou-se num jugo pesado que escravizava.
Os conterrâneos de Jesus, apesar de admirar suas palavras,
não entendiam como ele que “sendo um dos nossos” agora estivesse tão diferente
e falando coisas tão profundas. Afinal, isso não seria possível a um filho de
carpinteiro! Quando constatavam essa verdade ficavam escandalizados com ele e o
rejeitaram. (Mt 13,54-58). As medidas usadas por eles se tornaram pequenas
demais para Jesus. Ele pensava mais alto e enxergava mais longe, coisa que eles
nunca entenderam pois, queriam nivelá-lo por baixo. É bastante curioso esse
comportamento, mas, quando estamos perto demais de alguém, nem sempre, vemos
sua grandeza. Afinal, eles viram Jesus crescer, conheciam seus pais e sabiam de
sua história. Só não entendiam como tivesse conseguido tanta sabedoria inclusive
fizesse milagres. Não negavam que ele fosse um doce de pessoa, mas, apesar
disso, o rejeitaram.
Ainda hoje, corremos o risco de ter um conceito apurado de
Jesus e vivermos num ateísmo prático com se ele não existisse. Sabemos que ele é Deus mas, não influencia
minha vida nem minhas escolhas. Muitos que se dizem cristãos, provavelmente,
não serão reconhecidos como tais, no julgamento final. No cenário político, por
exemplo, vemos personagens que pregam e falam sobre Jesus enquanto suas
práticas se aproximam mais do paganismo que do cristianismo. Essa manipulação
da religião para ganhar votos é um jogo perverso. Trata-se de uma religião de
vitrine sem nenhuma profundidade. Falam bonito sobre Jesus e até convencem os
eleitores. Jesus continua sendo apresentado como um doce e comercializado pelos
diabéticos de nosso tempo...
Imagem gerada por IA (Gemini)




Ótima reflexão, padre Geraldo!
ResponderExcluirDestaco esse trecho: "corremos o risco de ter um conceito apurado de Jesus e vivermos num ateísmo prático com se ele não existisse"