A Flor do Tanque
Vós, que amais a natureza, é preciso vir para vê-la, recém brotada das águas, como no céu uma estrela! Ontem mesmo nada havia, dissimulado...
Vós, que amais a natureza,
é preciso vir para vê-la,
recém brotada das águas,
como no céu uma estrela!
Ontem mesmo nada havia,
dissimulado botão;
ergue agora no cristal
a sua branca ascensão.
Nasce no jardim do claustro,
não na terra, mas no tanque;
vai vendo abrirem-se as outras
de um aquático palanque.
E tem gestos de oriente
a coroa estilizada,
pondo brancas sombras de anjos
na superfície irisada.
Vide vê-la! Oh, não podeis:
pois foi nascer na clausura
e já bóia, branca Ofélia (1),
nas águas da sepultura.
Tão depressa brota o poema
de efêmera duração;
mal risca de leve a vida
o anseio do coração...
Texto: Dom Marcos Barbosa ( Poemas do Reino de Deus - 1961)
1- Ofélia é uma das personagens mais famosas e trágicas da peça teatral Hamlet, escrita por William Shakespeare entre 1599 e 1601. É o interesse amoroso e potencial esposa do Príncipe Hamlet. No entanto, a relação é marcada por pressões familiares e pela frieza do príncipe. Após Hamlet matar acidentalmente Polônio (o pai de Ofélia) e rejeitá-la, a jovem entra em completo isolamento emocional e perde a sanidade. Ela passa a vagar pela corte cantando trechos desconsolados e distribuindo flores. Depois disso, morreu afogada em um riacho após cair na água. A obra de Hamlet deixa em aberto se o afogamento foi um acidente ou se ela tirou a própria vida.




Tanto poema como a história são. lindos!!! Toda tristeza transforma em esperança. Lindo!!
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ResponderExcluirAmei o poema padre!
ResponderExcluirSabia da Ofélia de Shakespeare mas não conhecia a história. A incrível como um homem, naquela época, tivesse tanto conhecimento para escrever as histórias que hoje são famosas no mundo inteiro.
Um grande abraço!
Lindo poema e história! Triste mas transformador.
ResponderExcluirMaravilha
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