Amor mais forte que a morte

  Começo meu texto de hoje citando a passagem de um clássico poema indiano chamado: “O Ramayana.”   Nele aparece um personagem muito simpáti...

 


Começo meu texto de hoje citando a passagem de um clássico poema indiano chamado: “O Ramayana.”  Nele aparece um personagem muito simpático, Hanuman, o deus-macaco, filho de Vayu, o vento. Por ser filho do vento ele conseguia voar com facilidade e percorria longas distâncias. Certa vez, se enganou pensando que o sol fosse uma fruta madura e voou até ao céu para apanhá-la. O resto da história eu deixo para você pesquisar.

Hanuman foi um grande parceiro de Rama e o ajudou a libertar Sita, sua esposa, que havia sido aprisionada em Lanka, por Ravana, o chefe dos demônios. Essa colaboração com Rama fez crescer entre eles grande amizade. Ao final do Ramayana, quando Sita foi libertada, Rama quis recompensá-lo com um bracelete de brilhantes cravejado de joias. Hanuman viu o presente, cheirou-o, e depois de observá-lo, atentamente, quebrou-o jogando fora em seguida. Rama quis saber as razões daquele comportamento e então Hanuman disse que no bracelete não tinha sido gravado o nome de Rama. O irmão de Ravana Vibhishana torceu o nariz e questionou: “Então não vejo que valor tem a vida para ti. Porque não destróis teu corpo também”?  Naquela hora Hanuman enfiou as unhas na pele e abriu o próprio peito. Então todos puderam ver que, em cada um de seus ossos estava escrito o nome de Rama...(1)

A história acima mostra que o amor, para ser verdadeiro deve estar escrito até nos ossos e não apenas no coração. Esse é um tipo de amor que nos foi ensinado por Cristo. Um amor que é fogo para nos incendiar por dentro. No Evangelho de São Lucas (Lc 12, 49-53) Jesus afirmou: Eu vim lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Que espécie de fogo seria esse com o qual Jesus gostaria de incendiar a terra? Certamente não seria o mesmo com o qual Tiago e João gostaria de queimar os samaritanos (Lc 9, 54), mas, um fogo que não se apagaria nem mesmo com as águas do inferno (Ct 8, 6ss). Seria um fogo de amor mais forte do que a morte. Foi  esse amor de Deus pelo homem que libertou da morte o Deus feito homem.

O fogo do amor que Jesus nos trouxe teve que ser testado pela cruz e pelas provações, mas, não foi engolido por elas; pelo contrário, venceu-as, pois Cristo, após a morte, ressuscitou dos mortos. A cruz foi a grande provação e, por isso, Jesus confessou: Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que tudo isso se cumpra!

Um amor tão intenso, mais forte que a morte, poderia ser vivenciado por criaturas tão frágeis como eu e você? – Essa não é uma pergunta de resposta fácil. Mas, pergunte a uma mãe se ela não entraria na jaula do leão para salvar um filho em risco de morte. Qualquer pessoa que visse esse comportamento a consideraria louca. Pois é. A Cruz de Cristo também foi considerada loucura por alguns e escândalo para outros (1Cor1, 18-25). Sendo assim, temos que admitir, com o teólogo bizantino do Séc. XV, Nicholas Cabásilas, o “Eros Minkós”, ou seja, o louco amor de Deus por nós. (2)

Esse louco amor é contagioso, pois muitos santos, foram contagiados por ele, ao longo da história. Caso contrário, como explicar a morte de São Maximiliano Kolbe que ofereceu a própria vida para salvar a de um pai de família que ele mal conhecia no campo de concentração nazista? Que bom seria se eu e você também fossemos incendiados por esse amor. Quem procura viver esse amor acaba enfrentando rupturas, às vezes, até dentro de casa: “Daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três...” Muitos santos tiveram que cortar na própria carne para seguir os passos de Jesus. Quem dera pudéssemos dizer como o Apóstolo disse: Viver para mim é Cristo! Quem alcançou esse estágio na vida cristã acaba relativizando todo o resto. 

Pense nisso!

   Foto: Arquivo Pessoal

  1-https://ggpadre.blogspot.com/2019/01/hanuman-exemplo-de-amor-e-fidelidade.html

  2- https://ggpadre.blogspot.com/2016/08/manikos-eros.html

 


Related

Reflexões 1363931645445570655

Postar um comentário

  1. Padre, o texto inicia com uma das leituras cheia de meandros, e que é para poucos esta literatura, o senhor instiga a interessar por ela, o que deve ser mesmo prazerosa, e sempre transmite rica mensagem.
    O segundo momento do texto, vem uma clara mostragem de explosão de amor do nosso Deus para com a humanidade, mesmo sabendo que não somos merecedores.
    Ao final, uma linda música do Padre Zezinho, sempre bem inspirado. Gostei.

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu comentário

emo-but-icon

Siga-nos

dedede2d

Vídeos

Mais lidos

Parceiras



Facebook

item