Jesus, Alegria dos Homens
Existe uma música muito linda cuja letra foi traduzida do alemão com o nome: “Jesus, Alegria dos Homens” (Jesus bleibet meine Freude). El...
Existe uma música muito linda cuja letra foi traduzida do
alemão com o nome: “Jesus, Alegria dos Homens” (Jesus bleibet meine
Freude). Ela foi composta por Johann Sebastian Bach em 1723 para a Festa Litúrgica
da Visitação de Maria. Mas, não é sobre essa música que falarei hoje. Falarei sobre
Jesus, o fundamento de nossa alegria. Um dos títulos da Ladainha de Nossa
Senhora a nomeia como “Fonte de nossa alegria” ou “Causa de nossa alegria”. Ela
é a fonte de nossa alegria pois, por meio dela, Jesus veio ao mundo. Após
saudação que ela fez à sua prima Isabel ouviu da parte dela: “Assim que sua
saudação chegou aos meus ouvidos a criança estremeceu de alegria em meu ventre”
( Lc 1, 44). O que causou estremecimento em João, ainda no ventre da mãe, foi a
presença de Jesus, também no ventre de Maria.
O Evangelho de São Lucas (Lc 10, 17-24) mostra um momento de
profunda exultação na vida de Jesus: “Naquele momento Jesus exultou no
Espírito Santo e disse: Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste
essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos”. O
Evangelho mostra também qual foi o motivo de tanta alegria. Foi resultado da
missão bem sucedida dos 72 discípulos: “Até os demônios nos obedeceram por
causa do teu nome!”. De fato, havia razões para tal alegria pois eles foram
enviados como ovelhas no meio de lobos! Jesus, no entanto, aponta-lhes uma
razão, ainda maior, para que tivessem alegria: “Não vos alegreis porque os
espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque os vossos nomes estão
escritos no céu...”
A alegria de ter os nomes escritos no céu deveria ser de
todos nós cristãos batizados. Ter os nomes no céu é voltar à condição de
inocência e pureza que Adão gozava no Paraíso antes do pecado. Cristo, o novo
Adão, com seu sacrifício na cruz nos devolveu essa condição de amizade profunda com Deus.
Não precisamos mais esconder dele entre as folhas da figueira como fez Adão,
envergonhado de seu pecado. Fomos resgatados pelo sangue de Cristo derramado
por nós. Essa alegria é maior do que vencer o mal. Na verdade, o mal já foi
vencido, a morte perdeu o seu posto quando foi tragada pela vida doada na cruz.
Jesus citou, muitas vezes, elementos e situações da vida
cotidiana para falar de uma alegria ainda maior. Usou a parábola do homem que
encontrou um tesouro para falar de um tesouro maior que pode ser encontrado; da
alegria do pastor que encontrou sua ovelha perdida; da alegria dos convidados
para o banquete; da profunda alegria do pai que recebeu de volta o filho
pródigo... São Tomás de Aquino disse que “a alegria é o amor saboreado; é o
seu primeiro fruto”. Nesse sentido, quanto maior for o amor experimentado
maior será a alegria daquele que o experimentou. Deus é amor e quem tem Deus tem
alegria. Não dá para entender quando alguém diz ter fé, estando sempre triste e
carrancudo. A alegria é um dos frutos do Espírito Santo, conforme nos diz o
Apóstolo Paulo (Gl 5, 22-26).
Algumas pessoas parecem condenar a alegria como se ela fosse
um pecado. No filme: “O nome da rosa,” existe uma passagem, sobre o
riso, da qual me lembro muito:
Benengar, um dos monges, mostrados no filme, se assusta com a presença
de um rato. Os outros irmãos riem, mas, irmão Jorge se enfurece com o riso porque,
segundo ele, os monges não deveriam rir. Disse que nada nas escrituras
afirmavam que Jesus tivesse sorrido. Então, conclui que: Rir é pecado. Um monge
não deveria rir. Só gente tola ria à
toa! Riso seria coisa do diabo. “O riso deformava as linhas do rosto e
tornaria os homens semelhantes aos macacos; Ele matava o temor e sem o
temor não poderia haver fé!"
Irmão Jorge, curiosamente, era o mais parecido com um bicho.
Sua seriedade exagerada parece não o ter livrado da terrível aparência que
procurava evitar. Aliás, não conheço história alguma de bicho que sabe sorrir.
Talvez, esse privilégio, Deus tenha reservado apenas aos seus filhos. Rir é um
grande remédio. Serve para aliviar nossas tensões e estabelecer um clima de boa
convivência. Toda criança gosta de rir. Mas, a gente vai crescendo e se
tornando sisudo demais.
Quando o Senhor nos convida a amá-lo de todo o coração, com
todas as nossas forças, na verdade, está nos convidando à alegria. A perfeita
alegria é estar perto dele. O resto é euforia passageira. Assim como os discípulos
todos estamos em missão nesse mundo. Um dia estaremos para sempre com Deus e
então, nossa alegria será plena.



