Minos, o juiz do inferno
O inferno de Dante, autor da Divina Comédia, tem uma organização. Ele está situado abaixo de Jerusalém e tem a forma de um funil dividido ...
O inferno de Dante, autor da Divina Comédia, tem uma
organização. Ele está situado abaixo de Jerusalém e tem a forma de um funil
dividido em nove círculos que vão se estreitando, cada vez mais, até chegar ao
último circulo que é, totalmente, escuro e gelado. Esse último círculo foi
chamado de “judeca” e é a morada de Lúcifer. O dito cujo, tem três rostos e
três asas. De suas bocas pendem Judas, Brutus e Cássio todos traidores de seus benfeitores.
Com a metade do corpo atolado na geleira escura e mal cheirosa Lúcifer chorava
com os seis olhos que possuía e pelos três queixos gotejavam seu eterno pranto
com uma baba sanguinolenta que causavam grande repulsa. Mas, deixemos o “Dito
Cujo” pra lá, pois, o objetivo do texto é falar sobre Minos, o juiz encarregado
de receber as almas e colocá-las nos compartimentos certos de acordo com suas
condenações:
“Desci destarte ao
círculo segundo, que o espaço menos largo compreendia, onde o pungir da dor é
mais profundo. Lá’stava Minos e feroz rangia: Examinava as culpas desde a
entrada, dava a sentença como ilhais cingia: Ante ele quando uma alma desditada
vem, seus crimes confessa-lhe em chegando, com perícia em pecados consumada.
Lugar no Inferno, Minos, lhe adaptando, do abismo o circ’lo arbitra, a que
pertença; pelas voltas da cauda graduando.”(1)
Falando do meu jeito: No segundo círculo do inferno estava Minos,
encarregado de julgar as almas de acordo com seus pecados. Após o julgamento apontava
com uma grande cauda, retorcida, o lugar onde a alma deveria ficar e a jogava
naquele determinado lugar. Mas, quem foi Minos? A história dele não é simples.
Foi o rei de Creta que “deu o tombo nos irmãos” para governar a ilha sozinho,
após a morte do pai. Teve fama de justiceiro e, por isso, após a morte, foi
encarregado de alojar as almas que já estavam condenadas nos diversos
compartimentos de inferno. Foi, na verdade, um juiz dos infernos!
Para governar sozinho Minos disse aos irmãos que fora
escolhido pelos deuses. Ele fez um juramento ao Deus do mar, Poseidon, que, se
ele lhe enviasse um sinal Minos lhe faria um sacrifício em agradecimento. Sua
prece foi ouvida e do mar saiu um belo touro com chifre e tudo. De acordo com a
promessa o animal deveria ser sacrificado, mas, Minos não cumpriu a promessa. Como
vingança os deuses fizeram sua mulher apaixonar-se pelo touro. Ao que parece,
naquela época já tinha dessas coisas... Pasifai, sua mulher, pediu a Dédalo que
fizesse uma novilha oca, de tal maneira que ela entrou dentro da escultura e
acabou se engravidando do touro. Como se vê era uma mulher bem corajosa. A cria
que saiu foi o Minotauro, um monstro metade homem e metade touro. Para contê-lo
depois de crescido, Minos teve que fazer um labirinto e, de três em três anos,
o alimentava com sete virgens moças e rapazes – naquela época isso existia e
São Jorge ainda não tinha nascido!
Foi esse o tal Minos que acabou parando no inferno. Mas, sua
colocação não foi tão má, afinal, o cargo de juiz ainda é bastante cobiçado e,
naquele tempo, ninguém falava de código de ética para o judiciário. Valha-me Deus!
Dizem que esse cargo, atualmente, está vago e existe uma fila de juízes fazendo
concurso para ocupá-lo. Alguns já se desanimaram e trabalham de graça mesmo. Vá
de retro!
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay




O Brasil está cheio de Minos . Juízes que se acham superiores a Deus e outros se achando o próprio Deus . O inferno os aguarda .
ResponderExcluirSobre o comentário do livro acho interessante sim, a ficção que nos leva a algumas interpretações.
ResponderExcluirQuanto a música ao final, a crítica expressa uma realidade de injustiças. Não estou defendo a atuação ilimitada do poder judiciário. Assistimos recentemente uma ameaça de retrocessos no País. Foi dado direito de defesa, e com firmeza, que alguns discordam, aconteceu a continuidade de um regime que corria risco. Juízes que defendem nossa democracia eu parabenizo.
Aí Brasil dos Mimos, como é real a atuação de Mino . Muito interessante o texto, melhor é a música que diz uma verdade. É uma pena dizer tanta verdade.
ResponderExcluirEssa vaga eu não quero. Muito menos passar perto de um lugar desses. Não é bom pensar nesse lugar. Quando criança minha mãe dizia:
ResponderExcluir_Cuidado com o pecado, ele te leva para o inferno. O diabo é feio e mal. Não queira ir pra lá.
Adoraria ler A Divina Comédia com o seu jeito de narrar. É um bom projeto... Quem sabe?!
ResponderExcluirMuito interessante ,fico pensando sobre as pessoas,não são poucas, que se dão ao direito de julgar os outros e são verdadeiros sepulcros caiados.Deus me livre delas.Idê
ResponderExcluir