Temos vagas! Diz uma placa na porta do inferno

  Se você quiser ir para o inferno eu vou lhe dar uma ótima notícia: Tem vaga! Isso é o que podemos concluir ao ler da Divina Comédia de Dan...

 


Se você quiser ir para o inferno eu vou lhe dar uma ótima notícia: Tem vaga! Isso é o que podemos concluir ao ler da Divina Comédia de Dante Alighieri. Em sua obra o inferno é como um funil que começa largo e vai se estreitando, à medida em que vai chegando ao fundo. Esse funil é formado por nove círculos e alguns se subdividem para que todo mundo possa se encaixar. O oitavo círculo, por exemplo se subdivide em dez valas que foram chamadas de “malebolges” ou “valas malditas” que são unidas entre si através de pontes:

“Tem o Inferno, de rocha construído, de férrea cor, de muro igual cercado, um lugar: Malebolge o home havido. Lá no centro do plaino infeccionado se escancara grão poço, amplo e profundo: Direi a compostura em tempo azado. Espaço em torno estende-se rotundo entre o poço e o penhasco pavoroso: Reparte-se em dez cavas o seu fundo” (1)

Nesse texto falarei, rapidamente, sobre cada uma dessas valas e sobre seus residentes. Assim, o leitor pode escolher com calma o lugar que lhe for mais conveniente para sua habitação no futuro, se for o caso.

1ª Vala = Onde fica os cafetões (rufiões), aqueles que enganaram as pessoas para favores sexuais;

2ª Vala = Onde ficam os “Puxa-sacos”, aduladores, lisonjeiros;

3ª Vala = Vala dos simoníacos, aqueles que usaram as coisas sagradas para ganharem dinheiro;

4ª Vala = Habitação dos adivinhos, mágicos, charlatões...;

5ª Vala = Lugar dos corruptos e subornadores – Dizem que está cheia de políticos;

6ª Vala = Lugar natural dos fariseus de todos os tempos. Habitação dos hipócritas;

7ª Vala = Habitadas por diversos tipos de ladrões;

8ª Vala = Lugar dos encrenqueiros e semeadores de discórdias;

10ª Vala = Lugar dos falsificadores

 Os habitantes da primeira vala são constantemente açoitados por demônios chifrudos; Os da segunda vala viviam mergulhados em excrementos humanos para lembrar-lhes das palavras sujas que usaram para subirem na vida. Na terceira vala o castigo era ainda pior. Os condenados permaneciam enfiados numa rocha de cabeça para baixo com os pés em chamas. Por isso, esperneavam, freneticamente, o tempo todo. Vejam como o autor falou dessa turma:

“Por ouro e prata estão prostituídos! Por vós tange ora a tuba sonorosa: Jazeis na tércia cava subvertidos (de cabeça para baixo)”

“De cada um orifício eu sair via os pés, até das pernas a grossura, de um pecador: o resto se sumia. Stavam ardendo as plantas na tortura, e tanto as juntas rijo se estorciam, que romperiam a pressão mais dura. Do calcanhar aos dedos percorriam as chamas, como a superfície inteira em corpo de óleo ungido morderiam...” (Canto XIX – 4 , 5, e de 22 a 30)

 Os advinhos e mágicos, habitantes da quarta vala tiveram suas cabeças torcidas para trás. Essa foi a justa condenação: Olhar eternamente para o passado aqueles que desejavam ver somente o futuro. Por isso deveriam caminhar de costas com as lágrimas escorrendo pelas nádegas...

Aos corruptos da quinta vala coube à eterna permanência em piche fervente vigiados por demônios que os afundavam com um garfo comprido sempre que colocavam a cabeça para fora:

“O maldito afundou; surdiu curvado. Sob a ponte os demônios lhe gritaram: -Não acharás aqui Vulto Sagrado (rosto de Cristo), nem banhos, quais no Serchio (Rio Serchio) se deparam. Se não queres no pez (Piche fervente) star imergido a te espetar as fisgas se preparam” (Canto XXI – de 48 a 51).

A sexta vala reservada aos hipócritas era habitada até mesmo por religiosos. Os moradores dessa vala vestiam-se capas e capuzes de chumbo exteriormente dourados pois a hipocrisia é assim, o que vai dentro da pessoa não corresponde a sua aparência. Por fora são belas violas e por dentro, pães bolorentos...

Os ladrões, habitantes da sétima vala sofrem transformações constantes entre formas humanas e formas de serpentes. Esse processo lembra-lhes a natureza de seus crimes.

Os habitantes da oitava vala, os fraudulentos, estão sempre envolvidos em chamas individuais. O fogo é o elemento para apagar suas palavras enganosas.

Os encrenqueiros da nona vala, os semeadores de discórdias, são eternamente mutilados pelos demônios e, assim que as feridas cicatrizam são novamente mutilados. Esse castigo é para lembrar da dor que causaram em vida ao semear confusões por causa de suas encrencas.

Na décima e última vala estão os falsificadores. Estão divididos em grupos: Falsificadores de metais, pessoas, palavras e moedas. Por castigo receberam doenças como lepra para lembrar-lhes a deterioração da verdade que provocaram em vida.

Após esse breve resumo do oitavo círculo do inferno eu lhe pergunto: Tem interesse? Em caso positivo, você não precisa reservar sua vaga antecipadamente. Basta seguir uma vida de pecado sem desejo de conversão. Caso sua resposta seja negativa tenho uma boa notícia para lhe dar. O seu ingresso para o céu também já está comprado com o preço do sangue que Jesus derramou na cruz. Pense nisso!

 1-         Alighieri, Dante. A Divina Comédia, Trad: José Pedro Xavier Pinheiro – Dois Irmãos, RS: Clube de Literatura Clássica. 2020 – Canto XVIII – 01 - 09)

Imagem de Peter H por Pixabay

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