A hipocrisia do poder
Não era raro Jesus se indispor com os poderosos do seu tempo. Os grandes profetas costumam arranjar grandes inimigos. Assim aconteceu com ...
Não era raro Jesus se indispor com os poderosos do seu tempo.
Os grandes profetas costumam arranjar grandes inimigos. Assim aconteceu com
Isaías, Jeremias, João Batista e outros. Com Jesus foi, ainda, pior pois, além
de grande profeta, é Filho de Deus! Marcos, no seu Evangelho mostra algumas
turras entre ele e os poderosos. Uma delas aconteceu quando Jesus chegou ao
templo e botou para correr os cambistas e comerciantes que haviam transformado
o espaço sagrado em casa de comércio. Isso, naturalmente, não deixou feliz
aqueles que lucravam com a situação. Daí surgiu um questionamento: Que
autoridade ele tinha para agir daquela maneira?
Os chefes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos componentes
do Sinédrio, o “Supremo Tribunal”, da época, queria matar Jesus por causa de
seus ensinamentos. Jesus não era sacerdote, nem escriba nem ancião; não trabalhava
no templo, não era dono de alguma escola de doutrina e nem trabalhava para o
imperador romano. Tratava-se, na opinião deles, de um “pé rapado”, sem eira nem
beira que ousava questionar os grandes do tempo. Certo dia, deram lhe um
ultimato: Afinal, quem você pensa que é? (Mc 11, 27 - 33). Com desprezo o
chamavam de “filho de carpinteiro,” como se isso o desmerecesse, de alguma
forma.
Jesus era uma pessoa simples, mas não era bobo. Sabia que
eles estavam a fim de matá-lo. Por isso, devolveu-lhes a pergunta com novo
questionamento, bem ao estilo dos judeus: “Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me
responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. O batismo de João
vinha do céu ou dos homens”? Naquele
momento, um deve ter olhado para o outro e refletido: Agora fomos colocados
numa saia justa. Se dissermos que o batismo de João vinha de Deus ele poderá
nos questionar porque não lhe demos ouvido; se dissermos que vinha dos homens o
povo ficará contra nós, pois ama e respeita João Batista. Então, responderam-lhe,
hipocritamente: - Não sabemos!
Naquela situação o feitiço virou-se contra o feiticeiro. Eles
armaram uma arapuca para Jesus e eles mesmos caíram nela. Se não sabiam dar uma
resposta assim, como poderiam formular perguntas? Foi então, que Jesus afirmou:
Eu também não lhes direi com que autoridade faço essas coisas!
A resposta que as autoridades deram a Jesus revela toda a hipocrisia
que marcava a atuação delas. Na verdade, haviam transformado o templo num
negócio lucrativo para elas mesmas. Nesse caso, Jesus tornou-se uma ameaça aos
seus privilégios. O templo, que deveria ser uma casa de acolhida e de encontro
com Deus, fora transformado num balcão de negócios. Esse é um risco que
corremos em todas as épocas, inclusive hoje.
Nossos templos devem ser bem cuidados e bonitos, afinal, é um
local sagrado onde a comunidade se encontra para rezar e crescer na fé. Mas, é preciso
sempre tomar cuidado com os excessos para não transformar os meios em fins.
Deus não exige demonstrações de grandeza ou luxo. Por isso, a sobriedade cabe
em qualquer lugar e a ostentação é sempre escandalosa. Mais importante que as
pedras da igreja é nosso testemunho
cristão enquanto “pedras vivas” desse grande edifício espiritual que é o Corpo
Místico de Cristo (1Pd 2, 2-5). Pense nisso!
Imagem de Anna Sulencka por Pixabay



