Aliviando o peso uns dos outros

  Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos, e eu vos darei descanso (Mt 11, 25-30). A frase acim...

 


Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos, e eu vos darei descanso (Mt 11, 25-30).

A frase acima, dita por Jesus merece uma reflexão de nossa parte. Hoje, o que mais percebemos são pessoas cansadas e estressadas por diversas razões. Alguns, para chegar ao trabalho enfrentam um trânsito exaustivo e barulhento. Esse ritual costuma repetir todos os dias antes e depois da jornada. As pessoas estão esgotadas e o corpo responde a isso de diversas maneiras. As doenças de fundo nervoso se multiplicam e alguns chegam a perder a própria vida. O que Jesus disse, naquele tempo, caberia, perfeitamente, nos tempos atuais: Vinde a mim e encontrareis descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu peso é leve...

Na vida de Jesus percebemos, facilmente, suas atitudes de solidariedade com os sofredores. Assim, procurou aliviar as cargas dos outros. Ouviu e curou um paralítico que estava preso à sua maca havia 38 anos; libertou os cegos e curou a mulher que sofria com uma hemorragia havia doze anos. No caminho do calvário caminhando, debaixo de chicotes, encontrou forças para consolar as mulheres de Jerusalém que choravam por ele. No alto da cruz, ainda se preocupou com a mãe, entregando-a aos cuidados do discípulo amado. Quantas coisas podemos aprender com ele nesse sentido! Jesus fez tudo isso para dar-nos o exemplo. Também nós, devemos ser solidários com quem sofre e, sempre que possível, aliviar o peso de seus ombros.  

Conheço uma senhora que, por dois anos, ajudou a vizinha a lavar a roupa porque ela estava cuidando do marido acamado. Duas vezes por semana ela deixava sua obrigação para aliviar a carga da vizinha; conheço um vicentino que cuida de um doente há muitos anos ajudando-o a tomar banho e levando-o ao médico quando necessário; tenho um amigo que ajuda a pagar acompanhante para uma idosa que já não consegue mais cuidar de si nem da própria casa. Penso que todas essas pessoas entenderam o que significa ser cristão. Devemos aliviar a carga uns dos outros, assim como Cristo nos ensinou. Jesus nem esperava que lhe trouxessem o doente. Às vezes, dizia: eu vou lá para curá-lo! (Mt 7,7)

Quem vê no próximo o próprio Cristo, necessariamente, agirá com amor. Belo exemplo disso, nos deu Santa Terezinha, sendo simpática com uma freira, por ver Cristo presente nela:  

Era na época em que a Irmã São Pedro ainda ia ao coro e ao refeitório. À oração vespertina, seu lugar ficava na minha frente. Dez minutos antes das seis horas, uma irmã precisava dar-se ao trabalho de levá-la ao refeitório, porque as enfermeiras tinham então muitas doentes a seu cuidado, de maneira que não podiam ir buscá-la.  Muito me custou oferecer-me para execução desse pequeno ofício, pois sabia não ser fácil contentar a pobre Irmã São-Pedro. Tão grande era seu sofrimento, que não gostava de estar trocando de condutora. Contudo, não queria perder tão linda ocasião de praticar a caridade, lembrando-me de que Jesus dissera: “O que fizerdes a um desses meus irmãos pequeninos, é a mim que o fizestes”. Muito humilde, pois, ofereci-me a levá-la. Não foi, porém sem objeções que consegui a aceitação de meus préstimos! Enfim, pus mãos à obra, e tanta era minha boa vontade que o consegui com perfeição.

Todas as tardes, quando via minha irmã São-Pedro sacudir a ampulheta, sabia o que significava: Vamos! É incrível quanto me custava ficar de alerta, mormente nos primeiros tempos. Não obstante, ia imediatamente, e então começava todo um cerimonial. Precisava remover e carregar o banco de modo determinado, sobretudo não se precipitar. A seguir, começava o caminhar. Tinha de acompanhar a pobre enferma por detrás e sustê-la pela cintura. Fazia-o com a maior doçura possível. Mas, se por infelicidade ela falseasse o pé, logo lhe parecia que a sustinha mal, e iria ao chão.  – “Ah! Meu Deus! Andais muito ligeira, vou desconjuntar-me”. Caso tentasse avançar mais devagar ainda: - “Mas, por favor, andai atrás de mim! Já não sinto vossa mão, largastes-me, vou cair. Ah! Bem dizia que éreis muito nova para me conduzir”. Chegávamos, afinal, sem acidentes ao refeitório. Sobrevinham ali dificuldades de outra natureza. Precisava fazer a Irmã São-Pedro sentar-se, usando de habilidade para não a machucar. Depois, tinha que lhe arregaçar as mangas (de certa maneira ainda). A seguir, podia livremente retirar-me. Com as míseras mãos estropiadas, ela arrumava o pão na tigela, da melhor maneira possível. Não demorei em percebê-lo, e todas as noites só a deixava depois de prestar ainda esse servicinho. Como não me pedira nada, muito se comoveu com minha atenção. E por este meio não procurado conquistei toda sua benevolência, sobretudo (soube-o mais tarde), porque depois de lhe cortar o pão, dirigia-lhe antes de ir-me embora, o mais encantador dos meus sorrisos (História de uma alma. Cap XI, 325).

Santa Terezinha entendeu, perfeitamente, o que significa ter caridade com o próximo. Depois de enfrentar o mau humor da Irmã São Pedro ajudando-a no refeitório, não saia de perto dela sem deixar-lhe “o mais encantador dos seus sorrisos”.

“Todas as vezes que o fizestes (a caridade) a um destes meus irmãos mais pequeninos foi a mim que o fizestes” (Mt 25, 40). Assim, Cristo se faz presente no mundo quando agimos com caridade aliviando os fardos uns dos outros. Quem não tem compaixão, não pode afirmar ser discípulo de Cristo. Ter compaixão é colocar-se no lugar do outro, compreendê-lo e ser solidário com suas dores. Por isso, devemos nos perguntar: Até que ponto a dor do outro me toca? Sinto compaixão e tento ajudá-lo ou permaneço indiferente às suas dores?

Outro aspecto que deve chamar nossa atenção, na vida de Jesus foi sua disposição em receber ajuda. Às vezes, receber ajuda é mais difícil do que ajudar. Nosso orgulho pessoal nos impede de estender a mão ao próximo. Jesus aceitou, de bom grado, a ajuda de Cirineu. Com isso, nos ensinou que, além de ajudar, devemos ter humildade para aceitar a ajuda dos outros, pois, todos temos nossas cargas: “Não há ninguém sem defeito, ninguém sem carga; ninguém que se baste a si próprio, nem que seja suficientemente sábio para si."(T. Kempis, Imitação de Cristo, I, 16).

A vida nem sempre é um mar de rosas. Às vezes nos sentimos cansados e esgotados. Nesses momentos é bom lembrar-se dessa promessa de Jesus: Vinde a mim! Nele encontraremos descanso e podemos refazer nossas forças. Mas, será que ainda temos ouvidos para os apelos de Deus? Pense nisso!  

Imagem criada com Inteligência Artificial

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  1. Depositemos nosso cansaço nas mãos de Jesus. Acolhamos seu convite: Vinde a mim! Sua bondade e misericórdia nos conduzirão pelo caminho da salvação!

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