Santo do pau oco
Em Minas Gerais é muito conhecida a expressão “santo do pau oco”. Pelo visto, ela nasceu no Brasil colonial. Para enganar o fisco de Portu...
Em Minas Gerais é muito conhecida a expressão “santo do pau
oco”. Pelo visto, ela nasceu no Brasil colonial. Para enganar o fisco de
Portugal, algumas pessoas escondiam o ouro ou pedras preciosas dentro das
imagens dos santos. Ninguém se atreveria a duvidar de um “objeto de devoção”.
Alguns alegavam que as imagens de madeira deveria ser ocadas para que pesassem
menos quando, na verdade, elas funcionavam como verdadeiros cofres para
transportar valores. O “devoto”, no caso, nem sabia fazer o sinal da cruz, mas
em se tratando de esperteza tirava de letra!
Com o tempo a expressão “santo do pau oco” passou a designar
uma pessoa falsa que finge ser honesta e defensora dos valores tradicionais quando,
na prática, não é nada disso. O termo serve para criticar o falso moralismo e
desonestidade sob aparência de virtude e retidão. Em tempos de redes sociais
onde quase todos disputam espaços para aparecer, é muito comum exibir supostas
virtudes e esconder os podres. Alguns, cujos nomes aparecem nas redes sociais
com letras grandes aparecem também, com letras pequenas, nas páginas policiais.
Sob os holofotes exibem sorrisos e as lágrimas reservam aos bastidores.
Jesus usou imagem bem mais pesada, no seu tempo, para
criticar a hipocrisia. Falando aos fariseus e mestres da lei, chamou-os de
“sepulcros caiados”. Esses são belos por fora e podres por dentro. O santo do
pau oco pelo menos não carrega podridão em seu interior. A crítica é a mesma
mas, em nosso caso, bem mais palatável.
Outra palavra usada por Jesus para criticar a falsidade dos
líderes do povo, em seu tempo, foi a palavra “hipócrita”. Ela foi usada 17
vezes nos Evangelhos. Somente no texto de Mateus foi usada 13 vezes. Em João
foi usada 3 vezes e em Marcos, apenas uma vez. Isso é compreensível sabendo que
Mateus dirigiu sua mensagem principalmente aos judeus ou cristãos vindos do
judaísmo.
A palavra “hipócrita” nos vem da cultura grega e
originalmente não possuía nenhuma conotação negativa. Ela designava o papel do
ator no teatro que interpretava um personagem. O ator “finge” ser outra pessoa
quando desempenha um papel. Sobre esse “fingimento” do ator, o poeta português Fernando
Pessoa nos esclarece:
O Poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que
é dor
A dor que deveras
sente.
Além de Fernando Pessoa gostaria de citar um fadista também português,
Alfredo Marceneiro, que em sua música falou da hipocrisia de uma “mulher
desfolhada” que diante da passagem da santa, Nossa Senhora da Saúde, na
procissão, ficou petrificada fingindo ser um poço de virtude. Trata-se do
clássico fado português, “Há festa na mouraria”:
Há festa na Mouraria / É dia da procissão/ Da senhora da
saúde/ Até a Rosa Maria / Da rua do Capelão / Parece que tem virtude.
Como que petrificada / Em fervorosa oração / É tal a sua
atitude / Que a rosa já desfolhada / Da rua do Capelão / Parece que tem virtude.
O “pecado” da Rosa Maria, pelo visto, é bem menor que os
pecados de nosso tempo. Entre nós há muitos defensores da família que já estão
no quarto casamento... Há muitos lobos com peles de cordeiros. Essa é uma outra
versão do santo do pau oco. Por fora parecem cordeiros e por dentro são lobos
vorazes. É bom refletir sobre esse tema e sobre esse assunto sob pena de se “comprar
gato por lebre.” Pense nisso!
Imagem: Criada por IA (Gemini)




Como temos "santos de pau oco" hoje em dia, parece que virou moda! E tem aqueles que ainda acreditam nesses "santos". Ainda bem que temos a consolação da Verdade: as próprias Palavras de Jesus!
ResponderExcluirA linguagem virtual usa outra expressão para falar da hipocrisia: "sabor". Fulano tem sabor católico
ResponderExcluirQue Deus me livre!
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