Fama
A corrida pela fama e o preço que as pessoas pagam por ela, volta e meia, tem ocupado os espaços de discussão na atualidade. Alguns, fazem...
A corrida pela fama e o preço que as pessoas pagam por ela,
volta e meia, tem ocupado os espaços de discussão na atualidade. Alguns, fazem
de tudo para ganharem notoriedade. Passam por cima de todos e de qualquer valor
para aparecerem alguns minutinhos na televisão. O que as pessoas se esquecem,
com facilidade, é que a fama tem um preço alto. Os famosos costumam viver
aprisionados numa “gaiola de ouro” que eles mesmo construíram.
Algumas pessoas só ficam famosas após a morte. Em vida,
enfrentam um verdadeiro inferno de lutas e incompreensões. Na história dos artistas
isso parece ser comum. Dizem que Picasso, pintor holandês foi, completamente,
ignorado em vida. Hoje, seus quadros valem milhões. Algo semelhante aconteceu
com Diego Rivera, no México e Cândido Portinari, no Brasil. Durante muitos anos
ficaram empacotados e esquecidos em Taubaté diversos quadros de Diego Rivera
que, hoje, valem uma fortuna (1). Rivera presenteou sua amiga brasileira Anita
Antunes que morou alguns anos no México. Voltando ao Brasil, em 1949, Anita
exibiu as obras no Museu de Arte Moderna, em São Paulo. Ninguém deu atenção aos
trabalhos e nenhuma tela foi vendida. Com a morte de Anita a obra acabou sendo
empacotada e só foi descoberta em 64.
Diego Rivera inovou a pintura com seus traços nacionalistas e
sua postura ideológica. Abrigou em sua casa o fundador do exército vermelho,
Léon Trotsky que estava sendo perseguido por Stalin. Trotsky viveu no México
até 1940, quando foi assassinado. Casado com a pintora Frida Kahlo (Imagem em destaque), Rivera
popularizou a arte pintando grandes murais em espaços públicos para que o povo
pudesse ter acesso à sua arte.
Outro exemplo de desprezo pela arte aconteceu com o brasileiro
Cândido Portinari. Em 1946, o Duque de Windsor, em visita à sua exposição, em
Paris, ao ver que o pintor retratava a dor e a miséria do povo brasileiro em
suas telas, torceu o nariz e perguntou: “O senhor não teria algumas flores”? - Flores,
não, respondeu-lhe, o pintor, ressentido. Só miséria mesmo, senhor! (2). Após esse incidente o pintor disse: “É o defeito da maior parte da arte atual.
Os artistas não pintam o que veem e sentem. Pintam para o laboratório”.
Pintando temas sociais e retratando a vida do povo simples, Portinari
fez no Brasil o que Rivera realizou no México. Ambos fizeram da arte um
instrumento de denúncia da realidade sofrida vivida pelos mais pobres quebrando,
assim, as algemas da academia. Por ter essas atitudes ambos pagaram caro. Até
mesmo a Igrejinha da Pampulha que possui um valioso afresco de Portinari,
enfrentou resistência muitos anos por causa disso. Um quadro dele hoje vale muito
dinheiro.
A fama não costuma ser generosa com alguns de seus
protagonistas quando vivos. Alguns nunca puderam colher os seus louros pois, só
ficaram famosos após a morte. Com
relação ao tema é bom salientar que, se o pai da fama é o sucesso, a mãe
costuma ser a tragédia. Caso, não concorde com isso, então, ouça a opinião de Ovídio,
um dos maiores poetas latinos: “Quem teria ouvido falar de Heitor, se Tróia
tivesse vivido um final feliz”?
Imagem de Julius H. por Pixabay
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