Bambus rachados

 Para que serve um bambu rachado?  Serve apenas para começar uma boa fogueira, dirá alguém.  Além disso, talvez, não serviria pra mais  nada...


 Para que serve um bambu rachado?  Serve apenas para começar uma boa fogueira, dirá alguém.  Além disso, talvez, não serviria pra mais  nada mesmo. Aliás, o bambu inteiro ou mesmo uma moita inteira de bambu é algo de pouco valor num mundo que não aprendeu a valorizar o meio ambiente e coloca o interesse financeiro acima de qualquer coisa. Torço para que um dia, descubramos o grande valor do bambu e as mil e uma utilidades que ele pode ter. Mas, não é sobre o bambu que vou falar nesse texto. Só busquei essa imagem a propósito de uma citação bíblica do Profeta Isaías (Is 42,3):  “Eis o meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda  a minha afeição, faço repousar sobre ele  meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião. Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. Não quebrará o caniço (bambu) rachado, não extinguira a mecha que ainda fumega...” Tal citação foi retomada por São Mateus (Mt 12,14-21), na tentativa de reconhecer a verdadeira identidade do “Servo sofredor” em Jesus.

Ao refletir sobre essa passagem bíblica me ponho a pensar: - Quem seriam esses “bambus rachados”, mencionados no texto? Talvez, sejam as pessoas que estão vivendo no limite da esperança. Estão rachados. Falta pouco para romper as fibras que unem as partes. Nesse caso, Jesus é aquele que veio para reatar as esperanças. Isso é muito. Em todos os tempos existiram e ainda existem pessoas desesperadas. E como não se desesperar diante de determinadas situações? Como manter viva a “chama que ainda fumega” apesar das ventanias que a ameaçam? A expressão também recorda o que Jesus disse a respeito de João Batista: O que fostes ver no deserto? Um caniço (bambu) agitado pelo vento? (Mt 11,7) - Não. Vocês foram ver um grande profeta. Não existe profeta maior do que João. Foi com uma esponja na ponta de um caniço que um soldado umedeceu os seus lábios ressecados na Cruz.(Jo 19,29-30)

Ultimamente, parece crescer entre nós, os bambus rachados. Há muita gente sem sonhos, sem convicções ou  esperança. Vivemos numa sociedade distópica e sem referências para a juventude. alguns tem como ídolos atletas ou cantores. Outros ficam endividados apostando o futuro em jogos de azar. As Bets (plataformas digitais de apostas) ficam cada vez mais ricas alimentando falsas esperanças nos jovens.  Percebe-se um aumento da exclusão social, de “massa sobrante”, que gera outros males: aumento da criminalidade,  furtos e tráficos. Ainda que o governo triplique a construção de presídios não Irá adiantar muito. Não se resolve um problema pelas pontas...

O Evangelho citado acima mostra-nos Jesus como modelo para nossa conduta. Diante da decisão “humanitária” dos fariseus de matar Jesus, ele segue firme o seu caminho. Veio para restaurar os caniços rachados e reacender a chama da esperança. Por mais ameaçador que fosse o vento das ameaças ele não deixou de cumprir sua missão junto aos pobres e excluídos se seu tempo. A Igreja, que somos nós, devemos ser portadores da esperança. Não basta espantar os lobos que atacam, às vezes, na calada da noite. É preciso vislumbrar as verdes pastagens enquanto possibilidade de descanso para as ovelhas e marchar com elas nessa direção. A terra prometida é horizonte de possibilidade. Os falsos pastores direcionam as ovelhas para o precipício. O pastor verdadeiro tem o “cheiro das ovelhas” e dá a própria vida para defendê-las dos lobos.

Diante de um grande problema às vezes ficamos desanimados. Mas é preciso se lembrar da força dos fracos. Davi, apesar de jovem e frágil, derrotou o gigante dos filisteus. Não o fez pelas próprias forças, mas, pela força de Deus que estava nele. Sem Deus, de fato, nada podemos. Com Ele, no entanto, tudo faz diferença. Podemos reacender a chama não, apenas, de um bambu, mas do bambuzal inteiro! 

Vale a pena acreditar nisso! 

Imagem em destaque: Criada por IA.

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  1. Padre a texto nos faz refletir sobre os dias atuais . Temos um povo preguiçoso vivendo de uma falsa realidade, onde o povo prefere receber migalhas dadas por um desgoverno do que trabalhar e construir um futuro melhor. Preferem apostas nas bets e tigrinhos da vida a um trabalho honesto. O povo está sim se tornando uma moita de bambu rachado .

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  2. PADRE, este texto de boas reflexões foi desenvolvida a partir da comparação do bambu.
    Um bambuzeiro é lindo de se ver, e no individual tem sua elegância e com mil utilidades, até mesmo em objetos decorativos.
    Cada um de nós pode escolher como utilizar sua vida,
    acreditando no seu potencal, não somos apenas
    mais um no bambuzeiro da vida. É dificil ter sempre esperança, não caindo no desânimo, e nossa vida tem sentido ao deixarmos de egoísmo e ter vida útil.
    Individualmente podemos sentir fracos, mas a força é bom acreditar, vem do nosso Deus, ao invoca-lo sentiremos forttalecidos


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