Falando sobre Tomé

  Percebo que não dá mais tempo de ir à natação. Vou trocar a ginástica de hoje pela vassoura e o rodo. Minha casa vai agradecer. Mas, antes...

 


Percebo que não dá mais tempo de ir à natação. Vou trocar a ginástica de hoje pela vassoura e o rodo. Minha casa vai agradecer. Mas, antes da vassoura que, silenciosamente, me espera debruçada no seu canto me veio uma baita vontade de escrever. É tentação? Se for, que Deus me perdoe. Mãos à obra! Uma obra leve antes da faxina pesada.

Após ler o Evangelho de São João que fala sobre Tomé, fiquei com os dedos coçando para escrever. E olha que já andei escrevendo sobre ele que, passou para a história, como modelo de incredulidade. Tomé, Tomé, tome jeito e ajude-nos a consertar essa história tortuosa e custosa!

O texto de hoje pretende aliviar a barra de Tomé e dividir com os apóstolos o mérito do seu retorno à fé. Os Evangelhos falam pouco sobre esse apóstolo. Os sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas), praticamente, o citam entre os demais. No Evangelho de João ele se destaca um pouco mais. Aparece duas vezes quando Jesus ainda vivia e um pouco mais depois que ele morreu e ressuscitou.

Durante a última ceia, quando Jesus anunciou que iria à Judéia para  sofrer e morrer, Tomé disse aos demais: “Vamos, também para morrermos com ele”! (Jo 11, 16). Ao que parece, ninguém escutou, ou fingiu não escutar, o que ele disse. Sua fala foi corajosa e desafiadora. Parecia disposto a entregar a vida por Cristo. Ainda nesse clima de despedida perguntou a jesus: “Como nós poderemos segui-lo se nem sabemos o caminho?” (Jo 14, 5-6). Tal pergunta deu oportunidade a Jesus para produzir uma grande pérola quando disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!”

Depois dessa cena, Jesus foi perseguido e morto conforme predissera e ninguém soube o que aconteceu com Tomé. O Evangelho de João mostra a comunidade reunida sem a presença dele. Nos relatos de Mateus e Marcos, Jesus havia pedido que os apóstolos fossem à Judéia para se  encontrarem com ele novamente. Apesar disso, eles permaneceram ainda oito dias em Jerusalém. Será que estavam tentando buscar Tomé de volta ao grupo? Será que Tomé estava se afastando após a violência brutal do calvário? Será que estava atravessando uma crise de fé? Ninguém sabe, mas, ele parecia irredutível. Mesmo quando os apóstolos disseram-lhe que viram Jesus ele não mudou de ideia. “Se eu não vir as marcas dos cravos em suas mãos e a abertura em seu peito, eu não acreditarei”, afirmou.

Por alguma razão, ele apareceu na reunião do grupo oito dias depois. Talvez, não quisesse fazer feio com os amigos que insistiram tanto na sua presença. Afinal, não custava nada aquele pequeno sacrifício, mesmo sabendo que tudo não passava de sonhos. Jesus foi morto na cruz e tudo parecia terminado. Sua surpresa, no entanto, foi grande. Eis que Jesus, novamente, se colocou no meio deles e disse: Tomé, venha aqui. Pode colocar o dedo nas minhas chagas, já que você precisa de uma prova contundente para acreditar... Naquela hora, ele se derreteu todo e disse: Meu Senhor, e meu Deus! E assim terminou, com final feliz, essa parte da história.

Quero destacar duas coisas: Todo mundo está sujeito às crises de fé. Até os grandes santos passaram por isso. Então, devemos perdoar Tomé. Além disso, quero ressaltar o papel do grupo dos apóstolos que não lhe virou, as costas nesse momento de provação. Isso serve de lição para nós que também devemos buscar aqueles que se afastaram da fé ou estão passando por momentos de provações. Quem recebe ajuda tem o dever de ajudar. No dinamismo da vida recebemos apoio e apoiamos aqueles que precisam. Talvez, se não fosse o apoio do grupo e a graça de Deus, aquele apóstolo estaria perdido, para sempre, na escuridão das dúvidas. Jesus revelou-se a ele assim que retornou à comunidade. Poderia ter se revelado a ele estando ainda afastado mas, preferiu que ele voltasse ao grupo dos doze para não romper a unidade daqueles que foram os primeiros pilares de nossa fé.

Agora vocês me dão licença que vou retomar a vassoura já que faltei à natação... E tenho dito!

Imagem: Gerada por IA

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  1. Ainda bem que não estamos sozinhos!!! A nossa fé muitas vezes vacila nas caminhadas da vida e acreditamos que fomos esquecidos por Deus! Mas ele sempre se faz presente e nos dá força pra continuar a jornada! "Vão os anéis mas ficam os dedos"

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